QUEM OLHA PARA O «CRISTO FAMINTO»?

Os povos e as pessoas não deviam ter inimigos. Todos os povos e todas as pessoas deviam unir-se contra os reais inimigos da humanidade. Que inimigos são esses? São principalmente quatro: a doença, a ignorância, a violência e a fome. A «guerra» contra a doença é crucial. A «guerra» contra a ignorância é determinante. A «guerra» contra a violência é decisiva. E a «guerra» contra a fome é urgente.

Enquanto não vencermos estas quatro «guerras», não teremos paz e arriscamo-nos a nem sequer ter vida. Se, como disse o Papa Paulo VI, o clamor dos povos da fome chegou até Deus, como é que pode não chegar até nós?

Não esqueçamos que Cristo também está presente no irmão que passa fome. Tantas vezes, o Cristo faminto é um Cristo ignorado. Tantas vezes Ele passa por nós e nós nem sequer reparamos. Mas, um dia, esse mesmo Cristo faminto poderá dizer-nos: «Tive fome e não Me destes de comer» (Mt 25, 42). É que «tudo o que não fizestes ao mais pequeno dos Meus irmãos foi a Mim que o deixaste de fazer» (Mt 25, 45).

Daí que São João Crisóstomo dirija um apelo a cada um de nós: «Enquanto adornas o templo, não esqueças o teu irmão que sofre, porque este templo é mais precioso que o outro». Se alguém quiser honrar a Cristo, «não permita que Ele seja desprezado nos Seus membros, isto é, nos pobres», nos que passam fome. Afinal, «de que serviria adornar a mesa de Cristo com vasos de ouro se Ele morre de fome na pessoa dos pobres?». É assim que se compreende que, numa visita que fez ao Peru, São João Paulo II tenha atordoado a humanidade com uma exclamação interpelante: «Fome de Deus sempre! Fome de pão nunca!»



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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