OS POLÍTICOS «MEXEM-SE». E NÓS, CRISTÃOS?

Por vezes, dá a impressão de que nós, cristãos, estamos acomodados, quase em «modo de pausa». Parece que só nos incomodamos quando nos inquietam, quando «mexem» conosco. Devíamos olhar um pouco mais para os políticos em campanha. Nota-se que algo os faz «mexer» e os faz querer «mexer» conosco.

De facto, quando algo — ou alguém — «mexe» conosco, nós não descansamos enquanto não «mexemos» com outros. Porque é que nós, cristãos, nos «mexemos» tão pouco? O que se passou nos últimos dias deve ajudar-nos a pensar, a refletir e, porventura, a inflectir.
O que os políticos mais nos mostraram foi a importância de ir ao encontro das pessoas. Não basta ficar à espera delas; é fundamental ir à procura delas. E, justiça seja feita, nestes contatos os políticos não costumam usar de rodeios. Pelo contrário, vão logo diretos ao que os traz. Não hesitam em pedir o voto. Mostram que acreditam no que os move. E não têm qualquer receio em assumir que o seu projeto é o melhor.

Recorrem a todos os meios disponíveis. Tanto convocam as pessoas para a rua como as visitam em casa. Nem as mais sozinhas são esquecidas. Cumprimentam, sorriem, abraçam, partilham refeições. Apresentam medidas e escutam anseios. Não se dispensam de surgir nos jornais nem, como é óbvio, de recorrer às redes sociais. Além de mobilizar, esforçam-se por seduzir. Daí que tanto façam desfilar argumentos como se insinuem com presentes.

A resposta não vem de todos. Mas a proposta não deixa de chegar a todos. O mais sintomático é que até alguns dos mais renitentes acabam por ser convencidos. E é assim que, não obstante a abstenção, muitos votos são conquistados. Dizem que os políticos só aparecem nesta altura. Mas aparecem. E nós, cristãos, quando é que aparecemos na vida das pessoas?


Os políticos aparecem porque algo «mexe» com eles e porque algo os dispõe a «mexer» com os outros. Não devia acontecer o mesmo conosco? Não só em alguns dias, mas em cada dia, era bom que nos vissem sair para convidar outros a vir. Não temos presentes para dar. Mas temos o melhor presente para oferecer: Jesus. Se Jesus «mexe» conosco, porque é que não havemos de nos «mexer» para atrair outros para Jesus?


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMonv.

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