O EVANGELIZADOR TAMBÉM TEM DE SER EVANGELIZADO

Como muito bem explica D. António Couto, o problema da evangelização «não reside nos destinatários» (…); «reside no sujeito evangelizador que, para o ser, terá também de ser fruto de evangelização». O nosso mal é que continuamos a achar que a responsabilidade do insucesso nosso é culpa de outros.

Será que nós não damos motivos para recusar? Será que nós nos dispomos a sair? E, quando saímos, que levamos? Não basta ir a todos os lugares. Não é suficiente chegar a todas as pessoas. É preciso ir a toda a parte com o Evangelho. É urgente chegar a toda a gente como Evangelho. A chegada do evangelizador tem de ser a chegada do Evangelho. Mas só pode levar Evangelho quem procura converter-se ao Evangelho.

«Quem não precisa de conversão?», perguntava o saudoso D. Hélder Câmara. O evangelizador também de ser evangelizado. Só pode ajudar a converter a Cristo quem se deixa converter por Cristo. Quem não assume as suas falhas, como pode ajudar os outros a reconhecer os seus erros? A conversão a Cristo e ao Evangelho de Cristo é o ponto de partida para atrair os outros para Cristo.

Para isso, não chega trazer o Evangelho na mente e nos lábios; é fundamental trazer o Evangelho no coração e na vida. Só a partir da vida se pode chegar à vida. Aliás, o Evangelho está escrito no livro para ser (permanentemente) inscrito na vida. Entende-se, assim, que São João de Calábria, que clamava por um «regresso ao Evangelho», insistisse para que fôssemos «Evangelhos vivos».




Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

You Might Also Like

0 comentários

Mapa De Visitante