O Evangelho chama-nos a ser “próximos” dos mais pequenos e abandonados

No momento presente, estamos a acompanhar a dor de inúmeras famílias que se veem obrigadas a emigrar por razões muito diferentes: o desemprego, a pobreza, a guerra, a perseguição por causa da fé... E não falta a realidade de, em muitos casos, estas pessoas enfrentarem enormes dificuldades para se integrarem onde gostariam de ir. A Igreja, chamada a ser Mãe de todos, não é indiferente a estas situações. São contínuas as chamadas do Papa Francisco à solidariedade humana e cristã para com essas pessoas. Lembrou recentemente que, perante a tragédia de dezenas de milhares de refugiados, fugindo da morte pela guerra e pela fome, e que estão a caminho de terem uma esperança na vida, o Evangelho chama-nos a ser “próximos” dos mais pequenos e abandonados. Para lhes dar uma esperança concreta. Não só para dizer “coragem, paciência!”... A esperança é combativa, com a tenacidade de quem se dirige a uma meta segura [10].

O Pontífice pediu também para realizarmos um gesto concreto na preparação do Ano Santo [11], que terá início em dezembro. Este movimento de milhares de cidadãos, particularmente grave agora na Europa, também acontece noutras partes do mundo. A todos o Papa se dirige, insistindo em que se apoie este chamamento, recordando que a Misericórdia é o segundo nome do Amor [12].

Que podemos fazer, também cada um de nós, com iniciativa e responsabilidade pessoais? A primeira coisa é não deixar que resvalem pela nossa alma, com passividade, estes acontecimentos. E para isso, vamos rezar e considerar que meios práticos podem ser postos em ação para aliviar de alguma forma as necessidades dessas pessoas. Em muitos casos será oportuno, segundo as possibilidades de cada um, colaborar com as dioceses e com as paróquias, a quem o Papa dirige de modo imediato o seu chamamento, ou com organizações que trabalham para dar essa ajuda. Ninguém se deve desentender destas graves carências de tantos homens e mulheres, nossos próximos, em quem descobrimos o próprio Jesus Cristo. Peçamos ao Espírito Santo que nos ilumine e impulsione à ação, sabendo assessorar-nos oportunamente.

Assim, os vínculos familiares e sociais, dentro da experiência da fé e do amor de Deus, podem neutralizar a desertificação comunitária da cidade moderna (...). O sorriso de uma família é capaz de vencer esta desertificação das nossas cidades. E esta é a vitória do amor da família (...). O projeto de Babel constrói arranha-céus sem vida. Mas o Espírito de Deus faz florescer os desertos (cf Is 32, 15) [13].
Termino renovando o meu desejo de intensificar neste mês a oração pelo Papa e pelo Sínodo, que começa no dia 3. Recorramos à intercessão da Virgem Maria, Mãe da Igreja e Rainha da Família. Assim, as nossas orações, com as de muitos milhares de pessoas que rezam connosco pela mesma intenção, vão chegar de forma mais eficaz diante do trono de Deus.
Insisto: cuidemos da nossa piedade pessoal na recitação do Santo Rosário e na contemplação de cada mistério. Ao entrarmos mais na vida de Jesus, de Maria, aumentará o anseio de sermos mais irmãos de toda a humanidade, com o desejo de chegar a cada mulher, a cada homem.
[10]. Papa Francisco, Angelus, 6-IX-2015.
[11]. Papa Francisco, Angelus, 6-IX-2015.
[12]. Papa Francisco, Angelus, 6-IX-2015.
[13]. Papa Francisco, Discurso na Audiência Geral, 2-IX-2015.

You Might Also Like

0 comentários

Mapa De Visitante