Horóscopos são «mistificação» que é «profundamente antirreligiosa», diz psiquiatra

Os horóscopos «são a maior mistificação e não têm significado algum», além de serem «profundamente antirreligiosos e anticristãos», considera o psiquiatra e psicoterapeuta italiano Tonino Cantelmi.

Em entrevista publicada esta quarta-feira (janeiro de 2014) no site do Serviço de Informação Religiosa, ligado à Igreja católica na Itália, o especialista lembra que «o desejo de crer em alguma coisa e ter a possibilidade de controlar o futuro são inatos no homem».

«Cada um é um pequeno buscador de previsões, e os horóscopos vêm ao encontro deste desejo de prever o que acontece», tendência que tem «as suas raízes na grande insegurança da humanidade».

Especialmente presentes antes do início de cada ano, lançando as previsões para os doze meses seguintes, os horóscopos têm o «poder de sugestionar as pessoas, como também uma grande ambiguidade que permite lê-los de maneira diferente caso a caso».

Os horóscopos são «um grande jogo, mas também um grande negócio», sendo a secção «mais lida e mais seguida nos jornais e transmissões», atraindo, pelo caráter «lúdico», mesmo as pessoas «mais evoluídas e cultas».

Depois de mencionar os «verdadeiros charlatães», que «aproveitam a credulidade das pessoas propondo horóscopos personalizados», Cantelmi referiu-se à relação entre as adivinhações e a crença religiosa.

«Fundamentalmente o crente confia-se a si próprio a uma providência, a um Deus bom, sem ter a pretensão de controlar o futuro», pelo que «a fé madura é um grande salto na maturidade humana» ao ajudar a «estar no aqui e agora».

As «superstições, magias e horóscopos são tentativas de manipular a realidade, de fazer-se deus no lugar de Deus, de querer gerir o próprio futuro, e por isso são profundamente antirreligiosos e anticristãos».

Na maior parte dos casos, as consequências da leitura do horóscopo são «insignificantes»: «As pessoas leem-no, imaginam qualquer coisa, mas depois, na maior parte dos casos, esquecem-no no resto do dia».

«Quem é realmente sugestionável recorre a ele de maneira compulsiva, e aqui abre-se o grande capítulo das profecias que se autorealizam ou da leitura da realidade interpretada segundo o horóscopo. Na realidade é tudo um mecanismo de sugestão», explicou.

Grande parte dos horóscopos é «inócua», mas há «pessoas muito supersticiosas, com um nível de sugestão muito elevado, que entram num mecanismo de dependência com cartomantes e outras figuras».

Rui Jorge Martins

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