DOIS MANDAMENTOS EM «PACOTE»

Só que Jesus desmontou, com genial mestria, toda esta armadilha. Ou seja, não foi arrastado pelos «profissionais da rasteira». Jesus não deixou subsistir qualquer dúvida de que o amor a Deus está acima de tudo. Mas Jesus fez mais: colocou o amor ao próximo em estreitíssima ligação com o amor a Deus. Foi como se dissesse que é impossível amar a Deus não amando o próximo.

É assim que Jesus desarma, completa e brilhantemente, quem se preparava para lhe montar uma armadilha, à partida complicada. Na verdade, Jesus surpreende de tal modo o auditório que não somente indica com destreza o primeiro mandamento («o amor a Deus») como aponta, logo a seguir, o segundo («o amor ao próximo»). É como se os dois mandamentos só pudessem ser apresentados — e vividos — em «pacote». Isto é, só consegue amar a Deus quem se dispuser a amar o próximo.

É espantoso verificar como a ação contida neste duplo mandamento é o amor. Ou seja, o que Jesus espera de nós — para com Deus e para com o próximo — é o mesmo, é o amor. Não é o conhecimento, não é sequer o trabalho; é o amor. No fundo, o amor é a lei; no fundo, a lei é o amor. Que temos feito nós desta lei? Que estamos nós dispostos a fazer desta lei?

Se repararmos, o amor foi a lei que Jesus nos deixou pois foi a lei que Jesus sempre viveu. Trata-se de uma lei que se encontra esculpida no Mandamento Novo: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 34). Só que a lentidão com que nós, cristãos, vivemos essa lei é exasperante. Nos começos, notava-se um grande entusiasmo à volta desta lei. Tertuliano dá-nos conta de que os outros, olhando para os cristãos, exclamavam: «Vede como eles se amam!» Ou seja, «vede como eles fazem o que dizem»; «vede como eles cumprem a sua lei».



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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