DE FORA, AS INTERPELAÇÕES; DE DENTRO, OS OBSTÁCULOS

Nós, Igreja, somos, hoje, a Sua terra, a Sua família e a Sua casa. E, como há dois mil anos, é entre os Seus que sobrevém a traição (cf. Mt 26, 15-27, 3). Do exterior vêm as interpelações. Mas, frequentemente, é do interior que advêm os maiores obstáculos. Muito antes de se tornar Papa, Bento XVI reconhecia que a Igreja, em vez de ser «a medida e o lugar do anúncio, pode apresentar-se quase como o seu impedimento». É por isso que, não raramente, quando se diz Igreja, muitos pensam num sistema que afasta de Deus e não num povo que caminha para Deus.

Impõe-se, por conseguinte, retornar à génese da Igreja, isto é, a Deus e ao Povo: ao Deus do Povo e ao Povo de Deus. A Igreja é a proposta amorosa de Deus ao Povo. E há-de ser a resposta amorosa do Povo a Deus. É neste sentido que a Igreja é amada por Deus e querida pelo Povo.

A tragédia de Israel foi a rejeição de Cristo. Mas Aquele que é rejeitado pelos homens acaba por ser aprovado por Deus (cf. At 4, 10): «A pedra que os construtores rejeitaram veio a tornar-se pedra angular» (Mt 21, 43; Sal 118, 22). Trata-se da pedra angular de uma nova construção, de uma nova vinha, de um novo povo. Trata-se da pedra angular da Igreja, formada por judeus e não judeus, sem privilégios nem exclusões. É este povo que há-de dar frutos (cf. Mt 21, 43), ou seja, que há-de levar Cristo a toda a parte e anunciá-Lo a toda a gente (cf. Mt 28, 16-20).

Este povo está destinado a quebrar as fronteiras entre todos os povos. É neste espírito que São Paulo diz aos cristãos para aceitarem «tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor» (Fil 4, 8). Venha donde vier, tudo o que é bom vem sempre de Deus. Numa altura em que praticamente deixou de haver fronteiras entre os povos, porque é que hão-de crescer as barreiras entre as pessoas?



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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