ATÉ OS QUE ESTÃO ATRÁS SÃO PUXADOS PARA A FRENTE

O discurso dos lábios conta pouco se não é acompanhado pelo discurso da vida. Só vale a pena quando se diz o que se faz e se faz o que se diz. Santo António, que estava saturado de retórica vazia, gritou: «Cessem as palavras e falem as obras. De palavras estamos cheios, de obras vazios». Para o Padre Giuseppe de Luca, «a melhor maneira de dizer as coisas é fazê-las». É que, como observou Abraham Lincoln, as «ações falam mais alto que as palavras». Não admira, pois, que São João nos exorte a que não amemos com palavras nem com a língua, mas com obras e em verdade (cf. 1Jo 3, 18).

Apesar de tudo, Jesus não exclui ninguém, nem sequer aqueles que se auto-excluem. Aquele filho que disse que ia trabalhar na vinha, mas depois não foi, é imagem dos sumos sacerdotes e dos anciãos, que mostravam muitas palavras, mas poucas ações. Jesus não diz que eles estão excluídos do Reino do Deus. Diz, sim, que os publicanos e as mulheres de má vida irão à frente deles (cf. Mt 21, 31). E vão à frente deles não por continuarem com a sua má vida, mas precisamente por estarem dispostos a deixar a sua vida má. Ir para a vinha significa entrar na vida, numa nova vida.

O mal de muitos é achar que não é preciso mudar. É achar que mudar é para os outros. Hoje como ontem, não falta quem pense que até Deus está errado. Que está errado por ser misericordioso, por dar uma oportunidade ao pecador que «se afaste do mal» (Ez 18, 27).
Hoje como ontem, não falta quem considere a misericórdia um sinal de fraqueza. E, no entanto, como reconhecíamos há momentos na Oração Coleta, a maior prova do poder de Deus está quando Ele perdoa e Se compadece. Não espanta, pois, que o salmista suplique: «Lembrai-Vos, Senhor, das Vossas misericórdias» (Sal 24, 6). E Deus lembra-Se. Deus lembra-Se até quando nós nos esquecemos, até quando nós O esquecemos.



Frei Francisco bezerra do Nascimento, OFMConv.

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