A ÚNICA «GUERRA» QUE VALE A PENA TRAVAR

Dolorosa não é só a fome de muitos; é também — e bastante — o contraste com a opulência de tantos. De facto e como notou Eduardo Lourenço, o drama da fome «coexiste com o espetáculo de uma civilização aparentemente dotada de todos os meios, de todos os poderes para a abolir». Não dá para acreditar, mas importa saber que as 85 pessoas mais ricas do mundo possuem tanto como cerca de 3 mil milhões de pessoas do mesmo mundo. Ou seja, poucos com tanto e tantos com tão pouco!

Será que não podemos eliminar a fome ou será que não queremos eliminar a fome? Será que já reparamos na súbita emergência de um novo continente — o «continente da fome» —, que consegue até a assustadora proeza de ser mais populoso que a Oceania, a África e a América Latina?

O trágico é notar como muita gente tem mais acesso ao armamento do que ao pão. Com efeito, nunca vimos ninguém a mendigar armas. Estas parecem estar ao alcance de todos. Mas as pessoas continuam a estender a mão para mendigar pão! É caso para dizer — para gritar — aos partidários da guerra: «Se querem lutar, lutem contra a fome»!

Este é um dos poucos «adversários» que vale a pena enfrentar, um dos raros «inimigos» que vale a pena combater e a única «guerra» que vale a pena travar. Aliás, a vitória nesta «guerra» não acarreta baixas nem danos colaterais: todos são vencedores, ninguém sai a perder. Habitualmente, os inimigos dos povos são outros povos. Nestas guerras, todos perdem, até os que (presuntivamente) ganham.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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