OS DISCÍPULOS NEM SEMPRE SABEM TUDO SOBRE O MESTRE

Para avançar, temos, por vezes, de recuar. Propunha, por isso, que voltássemos um pouco atrás. Que voltássemos um pouco atrás no tempo e que voltássemos um pouco atrás no texto. Retomemos, então, o final do texto que, no passado Domingo, nos era proposto na proclamação do Evangelho. É quando Jesus «ordena aos Seus discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias» (Mt 16, 20).

Pode parecer estranho que, estando os discípulos destinados a falar de Jesus (cf. Lc 10, 16), surja uma ordem que proíbe tal missão. Sucede que, também na missão, deve existir um tempo de calar antes de falar. Diria até que, como alerta Ruben Alves, na missão deve haver cursos não só de oratória, mas também — e sobretudo — de escutatória.

Mas porque é que Pedro e os outros discípulos não podiam dizer que Jesus era o Messias (cf. Mt 16, 20)? O problema é que eles já sabiam muito, mas ainda precisavam de aprender mais. A concepção dos discípulos sobre o Messias era não só diferente, mas também oposta à concepção de Jesus.

Para eles, Jesus era um Messias triunfador e haveria de ser aquele que iria libertar o povo de Israel da ocupação romana. Ou seja, Jesus seria não um servidor, mas um lutador e um potencial dominador. Na cabeça de Pedro e dos outros discípulos, um Messias vinha para ser servido, não para servir. Nem, muito menos, para sofrer e ser morto (cf. Mt 16, 21).



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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