O PERDÃO É SOBRETUDO PARA QUEM O NÃO MERECE

É em todo este contexto que percebemos a insistência de Jesus para que perdoemos sempre e de forma ilimitada. O que Pedro pergunta a Jesus é se deve, ou não, perdoar sempre. E Jesus responde que não só deve perdoar sempre, mas de forma ilimitada. De facto, ao dizer a Pedro que não deve perdoar «sete vezes, mas setenta vezes sete» (Mt 18, 22), Jesus não está a recomendar que se perdoe 490 vezes. Indo mais longe, o que Jesus quer não é que se perdoe muito, mas que se perdoe sempre e de forma ilimitada: se «sete vezes» quer dizer sempre, «setenta vezes sete» quer dizer sempre e ilimitadamente.

Para Jesus, o perdão é para todos, especialmente para quem o não merece. De facto, se alguém tem méritos, não necessita de ser perdoado. Pelo que o perdão é para quem o não merece. É claro que o perdão pode não ser pedido nem aceite. Mas, mesmo assim, tem de ser disponibilizado e oferecido.

Enquanto discípulos de Jesus, somos também discípulos do Seu perdão. Ser cristão é, pois, o mesmo que «profissional do perdão», «esbanjador de perdão». Segundo o ensinamento de Jesus, a grandeza de uma pessoa está na sua disponibilidade para perdoar. Não é maior quem mais se vinga; maior é quem mais perdoa.

O credor de dez mil talentos (o equivalente a 36 quilos em ouro ou prata) perdoou ao seu devedor (cf. Mt 18, 23-27). Perdoou-lhe porque foi sensível à sua súplica e porque era generoso, magnânimo e misericordioso. No fundo, estamos perante uma eloquente imagem de Deus. Deus é Senhor porque dá, porque doa, porque «per-doa». Sucede que aquele que foi perdoado não perdoou uma pequena dívida (cf. Mt 18, 28-30). Com efeito, «cem denários» não correspondia a mais de 12 gramas de prata. Tratava-se, portanto, de uma insignificância em comparação com a quantia que lhe foi perdoada.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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