O AMOR FAZ BEM ATÉ ÀQUELE QUE FAZ (O) MAL

Ao contrário do que possamos presumir, nós, cidadãos (e, ainda mais, cidadãos com fé), não temos créditos, só temos débitos, só temos dívidas. O que somos devemo-lo a tantos: desde logo, a Deus; depois, aos nossos pais e, no fundo, a todos os membros da sociedade. E porque estamos em dívida, devemos ser dádiva. Saldamos a nossa dívida sendo dádiva. Saldamos a nossa dívida pela dádiva do amor. Daí a exortação de São Paulo: «Não tenhais qualquer dívida a ninguém senão de vos amardes uns aos outros» (Rom 13, 8). Só o amor é capaz de saldar as nossas dívidas. E é por isso que, como nota o mesmo São Paulo, «quem ama o próximo cumpre a Lei» (Rom 13, 8).

Na sua sabedoria simples — e na sua simplicidade sábia —, o povo diz que «amor com amor se paga». Mas, mesmo que não haja amor para conosco, há-de haver sempre amor a partir de nós. Ou, melhor, a partir de Deus em nós. Pois quando há autenticamente amor, não somos nós que amamos; é Deus que ama através de nós. São Paulo adverte que o amor é «o pleno cumprimento da Lei» (Rom 8, 10). O amor não faz mal (cf. Rom 8, 10). O amor faz bem até àquele que faz (o) mal.

O amor consiste em oferecer o bem. E, correspondentemente, consiste também em afastar do mal. Cada um de nós foi colocado na vida como o profeta foi colocado em Israel: como «sentinela» (Ez 33, 7). De acordo com Isaías, a função da sentinela é anunciar a chegada da manhã no meio da escuridão da noite (cf. Is 21, 11-12). Ser sentinela não é ser polícia. Não é policiar nem controlar, é acompanhar: é acompanhar a vida dos outros.

Comentando a afirmação de Ezequiel, S. Gregório Magno recorda que «a sentinela está sempre num lugar alto, a fim de perscrutar tudo o que possa vir ao longe». Este lugar alto onde, hoje, se encontra a sentinela é o Evangelho. É a partir do Evangelho que nos tornamos responsáveis por nós e corresponsáveis pelos nossos irmãos.




Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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