NÃO PODEMOS CONFUNDIR VINGANÇA COM JUSTIÇA

Perdoar a quem faz o mal não é branquear o mal. Perdoar é, desde logo, não ficar dominado pelo mal que nos é feito. E é também contribuir para que quem faz o mal possa sair do mal que faz. Não é fácil, mas não podemos presumir que seja impossível. E mesmo se for impossível para nós, nunca é impossível para Deus. É neste sentido que devemos responder à maldade dos homens com a bondade de Deus.

Daí a pertinência do apelo de São Paulo: «Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que pertencemos» (Rom 14, 8). Se pertencemos ao Senhor, é o Seu amor que nos deve possuir. Não é o nosso ressentimento que nos há-de nortear. Até podemos ter mil razões para a vingança. Mas não podemos invocar a aprovação de Deus para nos vingarmos.

Não podemos confundir vingança com justiça. Para muitos, a justiça não passa de vingança. A justiça consiste em reparar o mal realizado urgindo a sua substituição pelo bem. Daí o carácter pedagógico de muitas penas, como é o caso do serviço cívico. Quem praticou algum mal à comunidade é instado, pela autoridade, a praticar o bem na mesma comunidade. Se o bem não é praticado por iniciativa própria, a autoridade impõe a sua prática.

Já a vingança é apenas devolver o mal a quem faz o mal. Isso pode satisfazer durante uns instantes. Mas não muda nada a longo prazo. Vingar-se do mal não atrai o bem. Vingar-se do mal não é bem. Vingar-se do mal é resignar-se a permanecer no mal.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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