NÃO HÁ CRISTÃO SEM CRISTO E NÃO HÁ CRISTO SEM CRUZ

O que se espera de um discípulo é que seja fiel, fiel ao seu Mestre (cf. 1Cor 4, 1). Pedro não estava a ser fiel. E, sem fidelidade, Pedro não era pedra de construção, mas pedra de tropeço, pedra de escândalo (cf. Mt 16, 23). «Escândalo» significa precisamente tropeço, aquilo que dificulta o caminho.

Tantas vezes, isto (nos) tem acontecido. Tantas vezes, isto (nos) pode acontecer. Nem Pedro escapou à tentação. No «chek up» que Jesus faz a Pedro e, em Pedro, a todos os discípulos, a doença que mais avulta é o egoísmo. A maior doença do discípulo é não dar a Deus o lugar que merece: o lugar primeiro, o lugar central.

Jesus, ao revelar Pedro ao próprio Pedro, não oculta as suas debilidades. Mas aponta logo o meio para as superar: sair de si mesmo. Se o problema do discípulo são os interesses pessoais, a solução é renunciar a esses interesses: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo» (Mt 16, 24). O maior adversário do discípulo pode ser ele mesmo quando se desliga de Cristo. Ao contrário do que achava Jean-Paul Sartre, o inferno não são os outros. Como bem notou o Abbé Pierre, «inferno é viver sem os outros», contra os outros.
O discípulo é aquele que não vive de si nem para si; é o que faz sua a vida do Mestre (cf. Gál 2, 20). Sucede que a totalidade de Cristo inclui a Cruz. Não há cristão sem Cristo e não há Cristo sem Cruz. É preciso pegar na Cruz todos os dias (cf. Mt 16, 24). A Cruz foi onde Cristo disse totalmente não a Si, para dizer totalmente simao Pai (cf. Mt 26, 39). Neste contexto, menos que tudo é nada. Se Deus Se dá totalmente a nós, é de esperar que nós nos demos totalmente a Ele e, n’Ele, aos irmãos. Deus é quem mais irmana os homens. Deus é quem mais faz de nós irmãos. Façamos, pois, da vida uma festa de encontro. Deixemo-nos encontrar por Deus. E nunca deixemos de nos reencontrar em Deus!



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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