NÃO É FÁCIL — MAS É SUMAMENTE BELO — PERDOAR

Na vida, há quem seja assim. Há quem reclame o perdão de muito e há quem não seja capaz de perdoar nada. Acresce que, pelo desenvolvimento do texto do Evangelho, dá a impressão de que não terá o perdão de Deus quem não for capaz de perdoar ao seu próximo. «Não devias ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti? Então o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que lhe devia» (Mt 18, 32-33).

Sabemos que perdoar é difícil para o homem. E, olhando para a Bíblia, parece (insisto: «parece») que também não é fácil para Deus. Após o pecado original, Deus surge a «expulsar o homem do paraíso» (Gén 3, 23). Quando a corrupção corroeu a humanidade, decidiu «eliminar» o homem da terra (cf. Gén 6, 8). Na própria enunciação do Pai-Nosso, o apelo ao perdão contém uma ressalva: «Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas» (Mt 6, 14-15).

Parece que só há perdão de Deus se houver perdão da parte do homem. Se não houver perdão entre os homens, parece que não haverá perdão da parte de Deus. E a verdade é que foi preciso Jesus pedir a Deus que perdoasse a quem O ia matar: «Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 24).


Tendo, porém, em conta que Jesus é o rosto definitivo de Deus (cf. Jo 14, 9), então salta à vista que o Deus de Jesus (o nosso Deus) nunca devolve o mal; derrama sempre o bem. É por isso que propõe o amor aos amigos, mas sem excluir os inimigos. Ele fala de um Deus que «faz com que o sol se levante sobre bons e maus» (Mt 5, 45).


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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