EIS O MISTÉRIO DA FÉ

Concílio Vaticano II e a reforma litúrgica: Eis o mistério da fé
16/08/2017

“O sagrado Concílio propõe-se fomentar a vida cristã entre os fiéis, adaptar melhor às necessidades do nosso tempo as instituições susceptíveis de mudança, promover tudo o que pode ajudar à união de todos os crentes em Cristo, e fortalecer o que pode contribuir para chamar a todos ao seio da Igreja. Julga, por isso, dever também interessar-se de modo particular pela reforma e incremento da Liturgia”, reza o n. 1 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, promulgada pelo Papa Paulo VI em 4 de dezembro de 1963.

Neste nosso espaço vamos trazer 4 pontos sobre essa renovação do entendimento da liturgia. “Eis o mistério da fé” será o primeiro deles a ser tratado pelo Padre Gerson Schmidt:

As mudanças na liturgia introduzidas pelo Concilio Vaticano II são muito significativas. Mas ainda não foram bem assimiladas por todos nós. Os liturgistas brasileiros Ione Buyst e Dom Manoel João Francisco, no livro “Mistério Celebrado: Memória e compromisso II”, apontam alguns grandes traços teológicos de mudança implícitos na renovação da liturgia eucarística, a partir da aclamação pós-conciliar, depois da consagração, que diz: “Eis o mistério de nossa fé! Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus”. Essa aclamação está baseada na primeira Carta aos Coríntios: 1Cor 11,26.

Nela se indica o sentido central da ação eucarística: o Mistério Pascal. Segundo esses liturgistas “a Eucaristia é uma ação ritual, simbólico-sacramental, ação de Cristo Ressuscitado na força do Espírito Santo, atualização memorial de sua entrega e de sua glorificação, fazendo de nós participantes de seu mistério Pascal e de sua comunhão com o Pai, na expectativa da plena realização do Reino de Deus. É uma aclamação profética que aponta o rumo por onde o mundo encontrará a paz, a felicidade, a unidade. Implica nosso compromisso na construção de uma sociedade sem fome, sem guerras, sem discriminações, buscando caminhos de solidariedade, respeito e compreensão mútua, partilha dos bens” (p. 35).

Vamos apontando essa renovação do entendimento da liturgia, em nossa memória histórica do Concílio, em 4 pontos: 1. Eis o mistério da Fé; 2. Anunciamos, Senhor a vossa morte; 3. E proclamamos a vossa ressurreição; 4. Vinde, Senhor, Jesus.

Hoje apontamos o primeiro ponto: “Eis o mistério de nossa fé”. Essa é a aclamação, em tom de anúncio profético, do sacerdote depois de consagrar o pão em corpo e o vinho em sangue. A palavra mistério aqui é traduzida por sacramento, por realizar o que significa. Não se trata de um mistério qualquer oculto de Deus, desde muito tempo e agora revelado. Não é um revelação de um segredo divino, outrora oculto. Mas o Mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo, atualizado para nós na liturgia que está sendo celebrada.

Os liturgistas Ione Buyst e Dom Manoel João Francisco, atual bispo de Cornélio Procópio, dizem que na época do Concílio foi uma grande novidade usar o termo “Mistério Pascal” como conceito fundamental para a Eucaristia. Muitos padres conciliares estranharam isso, pois até então somente a paixão e morte de Jesus eram consideradas “memórias” da graça da salvação. O padre que proclama, em tom eloquente, “Eis o mistério da fé” não proclama simplesmente o mistério da transubstanciação, mas a Mistério Pascal acontecendo entre nós, mistério renovado no hoje de cada altar eucarístico”.

You Might Also Like

0 comentários

Mapa De Visitante