Cuidar dos doentes e dos idosos

Entre as obras de misericórdia, que estamos a tentar pôr em prática mais especialmente ao longo deste Ano Jubilar, há uma que é simultaneamente corporal e espiritual. Refiro-me ao cuidado dos doentes e dos idosos. Não se limita a aliviar as necessidades materiais, mas inclui sempre uma vertente espiritual: a de os ajudar também a que, no sofrimento ou na solidão, descubram continuamente uma ocasião de se unirem a Cristo na Cruz.
Cuidar dos doentes foi uma constante na passagem de Jesus por esta Terra, um dos sinais da sua condição messiânica, como diz S. Mateus: Ele tomou sobre Si as nossas fraquezas e carregou as nossas dores [5] . E os evangelistas no-lo repetem em numerosas ocasiões. Às vezes, tratava-se de uma pessoa que pedia uma graça para si ou para alguém próximo: o centurião de Cafarnaum suplica-Lhe pelo seu servo doente; uns amigos põem na Sua frente um paralítico; Marta e Maria pedem-Lhe que Se dirija depressa a Betânia para devolver a saúde ao irmão, gravemente doente; Bartimeu grita por Ele, quando passa no caminho de Jericó, pedindo-Lhe que tenha piedade dele e cure a sua cegueira... Noutras alturas, Jesus toma a iniciativa, como quando, ao desembarcar, viu uma grande multidão e, cheio de misericórdia para com ela, curou os seus doentes [6]. Ou quando, encontrando um paralítico junto da piscina probática, lhe pergunta: queres curar-te? [7] Ou naquela situação em que Jesus devolveu a vida ao filho da viúva de Naim [8].
Com frequência a multidão levava os seus familiares ou amigos doentes até ao sítio onde o Mestre estava. S. Mateus conta que Jesus foi para junto do mar da Galileia. Subiu ao monte e sentou-se. Vieram ter com Ele numerosas multidões, transportando coxos, cegos, aleijados, mudos e muitos outros, que se lançavam a Seus pés. Ele curava-os, de modo que as multidões ficavam maravilhadas ao ver os mudos a falar, os aleijados sãos, os coxos a andar e os cegos com vista. E davam glória ao Deus de Israel [9].
Os milagres do Senhor não pretendiam, logicamente, curar apenas as doenças do corpo, mas infundir a graça nas almas. Assim o mostra a cura do cego de nascença. À pergunta dos discípulos, que pensavam – de acordo com a opinião daquele tempo – que a cegueira deste homem era consequência dos pecados, Jesus respondeu: Nem pecou ele, nem os seus pais, mas isto aconteceu para nele se manifestarem as obras de Deus[10].
O livro dos Atos traça-nos um quadro da ação da Igreja primitiva em momentos diferentes. Entretanto, pela intervenção dos Apóstolos – escreve S. Lucas – faziam-se muitos milagres e prodígios no meio do povo. (…) A tal ponto que traziam os doentes para as ruas e colocavam-nos em enxergas e catres, a fim de que, à passagem de Pedro, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles [11].
A dor, a doença, podem aproximar-nos de Deus, se as recebemos com visão sobrenatural. Mas também nos podem afastar, se levam à revolta. O nosso Padre tinha uma boa experiência – tanto na sua caminhada pessoal como na história da Obra – sobre a eficácia da dor, física ou moral, unida à Cruz de Cristo. Com agradecimento a Deus e a inúmeras pessoas que assim correspondiam, mencionava que desde o princípio, contámos com a oração de muitos doentes que ofereciam os seus sofrimentos pelo Opus Dei [12]. Também agora, o trabalho apostólico continua a contar com os generosos alicerces dos doentes que procuram transformar o seu sofrimento em oração pela Igreja, pelo Papa, pelas almas.
Temos de ajudar todos os doentes com atenção e gratidão: com afeto, com cuidados materiais e espirituais. Rogamos a Deus que lhes conceda a saúde, se convém às suas almas. E se não, que enfrentem com alegria a doença, as fragilidades da velhice, as contrariedades de toda a espécie que possam estar a sofrer. E sempre com a alegria sobrenatural de estar a colaborar na aplicação dos méritos redentores de Cristo.
[5]. Mt 8, 17; cfr. Is 53, 4.
[6]. Mt 14, 14.
[7]. Jo 5, 6.
[8]. Cfr. Lc 7, 11-15.
[9]. Mt 15, 29-31.
[10]. Jo 9, 3.
[11]. At 5, 12-15.
[12]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, s/d (AGP, P01 XII-1981, p. 9).

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