CADA PESSOA É BASTANTE, MAS NÃO É O BASTANTE

Confesso que nunca gostei de ouvir chamar a alguém «deficiente». Tal (des)qualificativo pressupõe que, por contraste, haja quem seja «suficiente». Mas haverá alguém verdadeiramente «suficiente»? Haverá quem seja «suficiente» para nascer, para receber educação e saúde? Cada pessoa é bastante, mas não é o bastante. Nenhuma pessoa se basta a si mesma.

Não faltará quem se considere «auto-suficiente», isto é, quem se considere «suficiente» em si mesmo, por si mesmo. Acontece que a experiência está sempre a mostrar que todos nós somos seres incompletos e, nessa medida, carentes e insuficientes. Sozinhos, nada conseguimos. Precisamos dos outros para nascer, para crescer, para receber educação e saúde. Se não houvesse tu, haveria eu?

Sozinhos, nem sequer nos conhecemos. O povo até diz que «ninguém é bom juiz em causa própria». E se o fundamental objetivo do conhecimento é cada um conhecer-se a si mesmo, a vida mostra que é sempre necessário que alguém no-lo recorde.

O Salmo 36 (v. 10) proclama que só na luz de Deus encontramos a luz. Só em Deus nos conhecemos verdadeiramente. É no mesmo sentido que o Concílio Vaticano II sustentou que só Jesus Cristo, Deus feito homem, revela o homem ao homem. Como observou Karl Rahner, «Cristo é a resposta total à pergunta total»: à pergunta total sobre Deus e à pergunta total sobre o homem. Por conseguinte, se queremos saber quem é Deus, a resposta é Cristo; se queremos saber quem é o homem, a resposta é Cristo. Em Cristo, sentimo-nos perto de Deus e do que Deus é para nós.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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