APRENDAMOS A PERDOAR COM DEUS

A esta luz, a entrega do senhor aos verdugos do servo que não perdoou (cf. Mt 18, 34) não é uma imagem de um Deus sem perdão. Não se trata de que Deus pague na mesma moeda e castigue quem não for capaz de perdoar. Olhemos para Deus como Ele é. Não é preciso muito para concluir que a vingança não faz parte maneira de ser de Deus. Se Deus é infinito, perdoa infinitamente. Aliás e como dizia Heinrich Heine, «é o trabalho d’Ele».

O que o Evangelho faz é usar imagens fortes (quase no limite da contradição) para sublinhar que o perdão é absolutamente necessário e urgente. É tão necessário e tão urgente o perdão que dele depende a construção de uma vida nova. Nada é novo sem perdão.

Diante de tantos «profissionais da ofensa e da vingança», disponhamo-nos, então, a sermos «profissionais do perdão». Não deve haver coisa que custe tanto como perdoar. Mas não há nada tão belo como perdão. É preciso aprender a perdoar com o Mestre do Perdão. Perdoar, como notou Isaac de l' Étoile no século XII, é próprio de Deus. Só com Deus aprenderemos a perdoar.

Ao contrário do que se diz, perdoar não é esquecer. Como é possível perdoar o que não lembramos? Acresce que esquecer — ou lembrar — não depende da nossa vontade; depende da nossa memória. Perdoar o que recordamos é que depende da nossa vontade, da nossa vontade em aprender com o perdão de Deus. Aprendamos, pois, a perdoar com Deus. Ele também está sempre a perdoar-nos, como filhos Seus. Não fiquemos na «lama» que nos queiram atirar. E nunca aceitemos que «veneno» da vingança nos possa dominar. É pelo perdão que nos será aberta a porta da salvação!



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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