AMAMOS A CRUZ?

Para que a Obra viesse ao mundo, o Espírito Santo levou o nosso Padre – como nos quer conduzir a nós – pelos caminhos da mortificação e da penitência. Não ponhamos barreiras a estes requisitos divinos. Peçamos a graça de nos deixar configurar com Cristo crucificado, caminho para alcançar a verdadeira felicidade. Por isso te pergunto e me pergunto: amamos a Cruz? Procuramo-la nas circunstâncias do nosso caminhar quotidiano? Procuramos fomentar a alegria sobrenatural quando Jesus passa ao nosso lado e nos pede uma renúncia, sabendo moldar-nos ao que nos sugere na nossa vida espiritual, no trabalho, na fraternidade?

É importante que apliquemos estas considerações não só à nossa atuação pessoal, como também no seio da vida em família, nas casas dos Agregados e Supranumerários, nos ambientes onde habitualmente vivemos. A convivência com outras pessoas oferece muitas oportunidades de limar as asperezas do nosso caráter, da nossa personalidade. Não me refiro às pequenas discrepâncias – inevitáveis num convívio mais próximo – que podem surgir de vez em quando, mas que se resolvem pedindo desculpa. Refiro-me às feridas mais profundas que podem surgir no seio das famílias.

O Santo Padre avisa-nos de um perigo que está muitas vezes na base da deterioração do ambiente familiar. Quando estas feridas, que ainda se podem remediar, são descuradas, agravam-se e transformam-se em prepotência, hostilidade e desprezo. Podem então converter-se em traumatismos profundos, que dividem marido e mulher e que induzem a procurar noutro lado compreensão, apoio e consolo. Mas muitas vezes esses “apoios” não pensam no bem da família[4].

O remédio nestas situações, para que não degenerem em feridas quase incuráveis, está ao alcance da mão, com a graça de Deus. O Papa repetiu-o em várias ocasiões, recorrendo a três palavras: por favor, obrigado, desculpa [5].

Pedir as coisas “por favor”, sem exigências desmesuradas, sem impaciência, é uma boa vacina para prevenir os confrontos, não só entre os cônjuges, como também nas relações com os filhos e os outros elementos da família. Há um dito popular que confirma isto: consegue-se mais com uma colher de mel do que com um barril de fel. Além disso, havemos de pensar que tudo na nossa vida está marcado pela gratuidade. Não merecemos nem a vida, nem a família em que crescemos, nem os dotes naturais e os dons sobrenaturais recebidos… Por isso, precisamos de mostrar agradecimento. Como se tornam fáceis as relações entre as pessoas quando se sabe exprimir sinceramente um obrigado perante um pormenor talvez bem pequeno, mas que manifesta uma atitude de verdadeiro afeto, de generosa disponibilidade para servir! E quando nos enganámos – por egoísmo, por rudeza, por insensibilidade – peçamos logo desculpa, que não é nenhuma humilhação, antes pelo contrário, manifesta grandeza de alma.

[4]. Papa Francisco, Discurso na Audiência geral, 24-VI-2015.[5]. Cfr. Papa Francisco, Discurso na Audiência geral, 13-V-2015.

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