A MALEDICÊNCIA É UM «DESPORTO» COM MUITOS «PRATICANTES»

Todos nós somos chamados a ser sentinelas e todos precisamos de alguém que seja sentinela para nós. É que, às vezes, olhamos mas não vemos; outras vezes, vemos mas não reparamos; e, outras vezes ainda, reparamos, mas parece que ignoramos. Não podemos ignorar que o mal nos tenta, que o mal nos assedia, que o mal nos assalta. Anunciar o bem implica denunciar o mal. Não pensemos que o mal dos outros não nos afeta.

O mal devemos evitar, mas de quem faz o mal não podemos fugir. Quem faz o mal continua a ser nosso irmão, um irmão em perigo, por isso mais necessitado de apoio e ainda mais carecido de auxílio. Não chega ser reto em si, é preciso ser correto para com os outros. A correção do mal é uma superior demonstração de amizade. Incorreto é ver o mal e deixar que o mal alastre. Mal é ser indiferente diante do mal. A indiferença é, decididamente, o oitavo pecado capital e, seguramente, não o menos grave.

Nunca devemos falar mal, mas, muitas vezes, somos obrigados a falar do mal. Devemos falar do mal com quem o cometeu e não falar de quem o praticou. Aqui, a forma é tão importante como o conteúdo. O Evangelho é claro: «Se teu irmão te ofender, vai repreendê-lo a sós» (Mt 18, 15). Este é o primeiro — e decisivo — passo: falar com a pessoa e não falar da pessoa.

Não só hoje, mas sobretudo hoje, há uma grande tentação para falar dos outros, para falar mal dos outros. A maledicência é um «desporto» que, infelizmente, tem muitos «praticantes». Não temos em conta que grave não é só roubar coisas. Grave é também roubar o bom-nome, a boa fama, a boa reputação.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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