LONGE DOS TRIUNFOS MUNDANOS

Estamos em presença de um episódio tão marcante que o Novo Testamento nos apresenta, dele, quatro versões. Além desta — de São Mateus (cf. Mt 17, 1-9) — temos as versões de S. Marcos (Mc 9, 2-10), de São Lucas (cf. Lc 9, 28-36) e de S. Pedro (2Ped 1, 16-18).

É possível que, depois de terem ouvido falar do caminho da Cruz, os discípulos sentissem algum desânimo e frustração. À primeira vista, tudo parece encaminhar-se para um rotundo fracasso. E, no seu pensar, não era só o projeto de Jesus que fracassava. Fracassavam também os sonhos de glórias, de honras e de triunfo dos Seus seguidores. É muito provável que se perguntassem: valeria a pena seguir um mestre que nada mais tem para oferecer além da morte na Cruz?

Jesus torna bem claro que o Seu projeto não passa por triunfos mundanos, mas pela oferta da vida na Cruz. Jesus sobe para o alto, mas não para o alto do poder. Ele sobe para o alto da Cruz, descendo até à morte. Jesus sobe descendo. Também nós só subiremos até Jesus descendo com Jesus.

É neste contexto que surge o episódio da Transfiguração. Trata-se de uma forma de animar os discípulos — e os crentes, em geral —, pois, na Transfiguração, manifesta-se a glória de Jesus e atesta-se que Ele é, apesar da morte que se aproxima, o Filho muito amado de Deus (cf. Mt 17, 5).




Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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