FALAMOS DE DEUS, MAS PROCURAMOS ENCONTRARMO-NOS COM DEUS?

Deus vai passar. Mas, desta vez, não é pelo ruído que Se deixa encontrar. Deus não estava no vento «rijo e tempestuoso», que «fendia as montanhas e quebrava os rochedos» (1 Rs 19, 11). Quem não repararia numa tal ventania? Mas não era aí que Deus Se encontrava. Sentiu-se, depois, um «abalo de terra» (cf. 1Rs 19, 11). Mas também não era aí que Deus estava. Acendeu-se um fogo, mas Deus também não estava no fogo (cf. 1Rs 19, 12).

Sobreveio, então, uma «ligeira brisa» (1Rs 19, 12), à maneira de um murmúrio suave. Foi esse murmúrio que tocou o fundo de Elias. Assim que o ouviu, o profeta saiu e o seu rosto cobriu (cf, 1Rs 19, 13)-

Este texto é um convite a que regressemos às raízes da nossa fé. Tais raízes não estão no mais vistoso, mas no mais silencioso. Olhemos mais para a humildade de Deus. É claro que, na cultura do espetáculo em que nos encontramos, o silêncio e a humildade não gozam de muita aceitação.

Acontece, não raramente, que, em vez de levarmos a serenidade da igreja para a rua, trazemos o ruído da rua para a igreja. Andamos como que paralisados com tanta agitação. Até podemos falar muito de Deus. Mas que espaço damos ao encontro com Deus?




Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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