EM TANTAS APARIÇÕES É O MESMO APELO QUE CHEGA AOS NOSSOS CORAÇÕES (Segundo Dia da Novena)

Nossa Senhora está junto de Deus, mas do Céu continua a acompanhar-nos a todos nós, filhos Seus. Ao longo de dois mil anos, várias foram as vezes que à Terra desceu. Em diversas partes do mundo, fortes mensagens a todos ofereceu.
Como nos inícios, Maria continua «junto à Cruz» (cf. Jo 19, 25). Ela está junto à cruz de tantos filhos, como esteve junto à Cruz de Seu Filho. Das Suas múltiplas aparições um mesmo apelo chega, direto, aos nossos corações: «Fazei o que Ele [Jesus] vos disser» (Jo 2, 5). O que faz Maria feliz é que façamos sempre o que Seu Filho nos diz. É o Evangelho de Jesus que nos lábios da Sua Mãe reluz!

Ao longo destes vinte séculos de presença cristã no mundo, há relatos de mais de duas mil aparições de Nossa Senhora, o que dá uma média de uma por ano. A primeira de todas elas ainda terá acontecido no tempo da Sua vida terrena. Foi quando Ela apareceu ao apóstolo Tiago no dia 02 de Janeiro do ano 40. Segundo alguma tradição, Tiago — o irmão de João — tinha vindo para a Península Ibérica pregar o Evangelho. Esteve sobretudo em dois lugares: no local que viria a ser Santiago de Compostela e em Cesaraugusta, futura Saragoça.
Parece que não terá sido muito bem sucedido na missão. Poucas pessoas se terão convertido. Em descanso nas margens do rio Ebro na companhia de sete seguidores, foi confortado por Nossa Senhora, que lhe apareceu em cima de uma coluna de luz e rodeada de anjos.

Depois de lhe garantir grandes — e frutuosos — labores apostólicos, pediu-lhe que erguesse uma igreja e um altar no preciso lugar onde estava o pilar em que se encontrava. O pedido foi realizado e uma igreja nasceu: a atual Basílica da Virgem do Pilar, em Saragoça. Terá sido o primeiro templo dedicado à Virgem Maria, que fez ainda uma promessa: «Este lugar subsistirá até ao fim do mundo para que a graça de Deus realize milagres e prodígios por Minha intercessão àqueles que suplicarem a Minha ajuda».
Segundo a mesma tradição, São Tiago voltou para Jerusalém e, no ano 42, foi martirizado durante a perseguição de Herodes Agripa (cf. Act 12, 2). Foi o primeiro apóstolo mártir. O seu corpo foi sepultado em Jerusalém, mas, posteriormente, terá sido transferido pelos seus discípulos para a Galiza. Estes depositaram o corpo numa rocha. Oito séculos mais tarde, um ermitão chamado Paio alertou o Bispo de Iria Flavia para a luminosidade de uma estrela no monte Libredón. Daí que a localidade passasse a ter o nome de «Campo da Estrela» (em latim «Campus Stellae), donde surgiu o topónimo Compostela.

A Igreja é muito prudente na maneira de lidar com estes relatos. De entre todas as aparições, só 16 estão reconhecidas pela suprema autoridade da Igreja. Curiosamente, todas elas ocorreram no segundo milénio, mais concretamente desde o século XIV. Entre as aparições marianas aceites pela máxima autoridade da Igreja encontramos, além das aparições de Fátima (1917) e de Lourdes (1858), as aparições de Guadalupe (1531), a Santa Catarina de Sena (1347), a Santa Catarina Labouré (1830), a Santa Faustina (1937), etc.
Entretanto, há outras aparições aprovadas pela autoridade diocesana e também aquelas que ainda estão em fase de estudo.

No território português, há notícias de aparições já no século XIII. Curiosamente, 700 anos antes das aparições de Fátima, há um frade franciscano que diz ter visto Nossa Senhora, em 1217, na serra de Montejunto, em Alenquer. Também cerca de 200 anos antes de Fátima (e não muito longe da Igreja paroquial de Fátima), terá havido uma aparição num lugar chamado Cabeço da Ortiga.
Ali foi construída uma capela, em 1758, e ainda hoje há ali uma peregrinação, em Julho. Segundo uma tradição popular, Nossa Senhora apareceu, no século XVIII, a uma rapariga muda, a quem pediu uma ovelha do rebanho que guardava. A pastorinha começou logo a falar para responder que não poderia dar a ovelha sem autorização do pai. O pai ficou espantado com o facto de a filha falar e terá dado o sim a Nossa Senhora. Quando foi ao local onde a filha disse que tudo aconteceu, encontrou uma imagem de Nossa Senhora, no meio de urtigas.

Há aqui uma certa semelhança com a origem do culto de Nossa Senhora da Lapa. Também aqui ouvimos falar de uma pastorinha muda. Só que, em vez de uma aparição de Nossa Senhora, encontramos a descoberta de uma imagem de Nossa Senhora. Diz, com efeito, a tradição que, em 1498, uma menina de 12 anos chamada Joana, sendo muda de nascença, andava a pastorear o seu rebanho.
Ao descobrir uma imagem de Nossa Senhora, dispensou-lhe os maiores cuidados, fazendo-lhe mesmo um trono que enfeitava com flores. Passado um tempo, começou a levar a imagem numa cestinha. Acontece que, um dia, a mãe, ao ver Joana perder muito tempo com o que julgava ser uma boneca, atirou-a para o lume. Foi então que a menina, que até ali era muda, falou: «Minha mãe! É Nossa Senhora da Lapa!» Imediatamente a menina retirou a imagem do lume, que não se queimou. Por sua vez, a mãe ficou com o braço paralisado, mas, depois de ambas terem rezado, ficou curada.

160 anos antes de Fátima, há relatos de mais uma aparição de Nossa Senhora. Espantoso é notar que esta aparição também aconteceu num dia 13 de Maio. Os interlocutores foram igualmente três videntes e as semelhanças não se ficam por aqui.
Consta, de facto, que, a 13 de Maio de 1757, na aldeia de Folhada (Marco de Canaveses), três pastorinhas com menos de 12 anos (duas Marias e uma Teresa) ouviram uma voz que as chamava. Viram então, num cabeço, uma mulher «de brilhante e resplandecente rosto». Descrição curiosa esta. É que, como é sabido, Lúcia referiu-se à Mãe do Céu como sendo «uma Senhora mais brilhante que o sol».

Uma das meninas de Folhada perguntou à aparição quem era. Esta respondeu-lhe que o saberiam depois de fazerem, durante nove dias seguidos, uma romaria em honra de Nossa Senhora. Dizem que, naquele mesmo sítio, a 14 de Agosto, Véspera da Assunção, viu-se uma luz tão clara que, apesar de ser quase meia-noite, poder-se-ia ler uma carta com a sua luz.
O certo é que, ainda hoje e naquele lugar, existe uma capela denominada Senhora da Aparecida.

Já em pleno século XX e antes de Fátima, a imprensa refere uma aparição em Espinho. Aqui, em Junho de 1916, uma imagem de Nossa Senhora ter-se-ia deixado ver numa estrela pedindo a quem a avistava que não deixassem ninguém ir para a guerra. No mesmo mês, em Pardilhó (Estarreja), uma figura de mulher envolta num manto banco teria anunciado o fim da guerra.
E mesmo nas vésperas da primeira aparição em Fátima, Nossa Senhora terá sido vista, a 10 e a 11 de Maio de 1917, no lugar de Barral, Vila Chã, em Ponte da Barca. Foi de novo um pastorinho com 10 anos, chamado Severino Alves, que testemunhou um encontro com a Mãe de Jesus. Avistada num clarão, em cima de uma ramada, pediu-lhe a recitação diária do Terço e da oração «Estrela do Céu». Em 1969, foi edificada naquele local uma capela em honra de Nossa Senhora da Paz.

Todas estas experiências anteriores a Fátima mostram, independentemente do reconhecimento oficial, a percepção que o povo tem da contínua solicitude de Maria pelo Seu povo. Como sustenta a doutrina da Igreja, as visitações de Nossa Senhora não pretendem completar a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar-nos a viver mais intensamente esta mesma Revelação em cada época.

Este é o Seu «trabalho de Mãe»: encaminhar todos os filhos para o Seu divino filho. É em Jesus que estão os remédios da Senhora. É Jesus que nos é (sempre) dado pela Senhora dos Remédios!

You Might Also Like

0 comentários

Mapa De Visitante