AINDA HÁ EXCLUSÕES NO TEMPO DA INCLUSÃO

Num tempo em que tanto se fala de inclusão, ainda há quem repetidamente sofra com a exclusão. Ainda há muitos muros em vez de pontes. A Igreja, como Jesus, é universal. Tem, por isso, de funcionar como tal. Acontece que, às vezes, também nela há a tentação de excluir, de afastar, de subestimar. Também nela há a tentação para estratificar os membros em preferidos e preteridos.

É possível que ainda subsistam muitas «capelas» e pouco sentido de Igreja. Pensamos muito no nosso grupo, na nossa espiritualidade, no nosso movimento. E a Igreja? E Jesus? É certo que cada realização específica deve refletir a inspiração geral. Mas, não raramente, dá a impressão de que vemos mais o global a partir do particular do que o particular a partir do global. É verdade que há muitas reuniões. Mas será que existe verdadeira união? Estando bastante reunidos, será que nos sentimos autenticamente unidos?

A Liturgia deste Domingo projeta a universalidade de Cristo e da salvação trazida por Cristo. Jesus, depois de notar como os fariseus e os doutores da Lei se recusavam a aceitar a mensagem do Reino, entra numa região pagã, sinalizando desde logo como os pagãos são destinatários dos dons de Deus. Diante da fé revelada por esta mulher cananeia, Jesus oferece-lhe a salvação que Deus prometeu a todos os homens, sem exceção.

Olhemos, então, para esta mulher. As suas três intervenções mostram, por um lado, o seu desejo de salvação, vista como cura. E, por outro, atestam a fé convicta que a anima. Basta ter presente que as designações «Filho de David», que equivale a «Messias», e «Senhor», com que ela se dirige a Jesus, configuram uma confissão de fé. Estamos, pois, perante uma figura que nos impressiona pela fé, pela humildade e também pelo sofrimento que transparece no seu apelo.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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