QUE ESTAMOS DISPOSTOS A DEIXAR PELO REINO DOS CÉUS?

É por isso que o Reino dos Céus é comparado a um tesouro (cf. Mt 13, 44). Este tesouro, como assinala o Evangelho, permanece frequentemente escondido. É preciso, pois, destapá-lo, trazê-lo para fora, para que todos o vejam, acolham e vivam. É curioso que, na parábola que escutamos, o homem que encontra o tesouro escondido começa por voltar a escondê-lo. Ele queria ficar com o tesouro. Por tal motivo, comprou todo o campo onde estava o tesouro (cf. Mt 13, 44).

O tesouro era tão importante que valeu a pena o investimento e o sacrifício. O mesmo acontece com a pérola. Aquele que encontra uma pérola de grande valor vende tudo o que possui para a poder comprar (cf. Mt 13, 45-46). Ficar com aquela pérola justifica que se venda tudo o resto. O Reino dos Céus — a melhor pérola — justifica que deixemos tudo.

Discernir o que é prioritário é sinal de sabedoria. É o que o sábio Salomão mais pede a Deus. Salomão é o paradigma do verdadeiro sábio, que consegue perceber e escolher o que é importante e que não se deixa seduzir — nem guiar — por valores efémeros. Tudo ocorre no âmbito de um diálogo entre Deus e Salomão. Este jovem rei é sábio, desde logo, no reconhecimento dos seus limites. E mostra-se — ainda mais — sábio no reconhecimento de Deus como fonte de sabedoria.

Salomão considera-se imaturo, impreparado, Não se deslumbra por ser muito novo (cf. 1Rs 3, 7). Ser novo é, antes de mais, uma oportunidade para aprender. O problema é que, muitas vezes, há quem julgue que ser novo é um pretexto para mandar, para impor. É preciso perceber que, como refere o Eclesiastes, tudo tem seu tempo e sua hora (cf. Ecl 3, 1). Há muito que aprender na vida. E é com Deus que mais temos a aprender.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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