PORQUE DEUS NÃO DESISTE DE NÓS, NÃO DESISTAMOS NÓS DE DEUS

Tomar a Cruz não tem nada de depressivo. Tomar a Cruz tem tudo de expressivo. No fundo, a Cruz expressa a realidade do nosso Batismo. Como ouvimos na Segunda Leitura, «nós, que somos batizados em Jesus Cristo, somos batizados na Sua morte» (Rom 6, 3). É que, só estando com Cristo na morte, conseguiremos estar com Cristo na Sua vitória sobre a morte.

São Paulo avisa: «Assim como Cristo ressuscitou dos mortos […], também nós caminharemos numa vida nova. Se morrermos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos» (Rom 6, 4.8). É por isso que a Páscoa não é só a Ressurreição. A Ressurreição é o «terminus ad quem» da Páscoa. Mas o «terminus a quo» da Páscoa é a Morte. A Páscoa começa com a Morte. A Páscoa é a passagem da Morte para a Ressurreição. Só há Ressurreição depois da Morte. É, portanto, preciso morrer para ressuscitar. Nunca percamos de vista. É preciso morrer para o pecado, para o egoísmo, para a mentira, para toda a espécie de mal e de maldade.

O Batismo opera, de modo sacramental, esta morte para o pecado e esta vida para Deus. No Batismo, identificamo-nos com Cristo na Morte e identificamo-nos com Cristo na Ressurreição. A Morte, que já não tem domínio sobre Cristo (cf. Rom 6, 9), também nenhum domínio terá sobre quem está em Cristo. No Batismo, começamos a viver para Deus (cf. Rom 6, 10).

Estaremos, então, dispostos a esta morte para termos acesso a esta vida? Estaremos dispostos a morrer para o pecado, para o mal e para a maldade? Estaremos dispostos a permanecer vivos para Deus em Cristo Jesus (cf. Rom 6, 11)? Nem sempre o que se celebra no Sacramento se torna visível na vida. Há que fazer convergir o plano sacramental com o plano existencial. Quando cairmos, não hesitemos em voltar a levantar-nos. Deus não desiste de nós. Não desistamos nós de Deus.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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