O TEMPO DA GRANDE SELEÇÃO

Enquanto oportunidade para o discernimento, o tempo da nossa vida é o tempo da grande seleção. Jesus também compara o Reino dos Céus a uma «grande rede» que apanha «toda a espécie de peixes» (cf. Mt 13, 47). De facto, o Reino não é algo como um «condomínio fechado», com lugar cativo para as elites. O Reino é aberto e, por conseguinte, quem a ele se abre está exposto. O cristão é abraçado pelo bem, mas não deixa de estar exposto ao mal.

É neste sentido que, como já dizia Henri de Lubac, «a Igreja não é uma academia de sábios, nem um cenáculo de intelectuais sublimes, nem uma assembleia de super-homens. É precisamente o oposto. Os coxos, os aleijados e os miseráveis de toda a espécie têm cabimento na Igreja, e a legião dos medíocres são os que lhe dão o seu tom».

É bom não esquecer que o primeiro cristão a entrar no paraíso foi um ladrão (cf. Lc 23, 43). Como lembra Timothy Radcliffe, o Salvador não deixou ninguém de lado, muito menos «aqueles cujas vidas são um caos». É por isso que a Igreja é uma casa sem portas porque, se as tivesse, teriam de estar sempre abertas. Todos são bem-vindos à Igreja. Ela inclui até os que o mundo exclui.

A Igreja é, pois, para todos. Mas não é para tudo. Na Igreja, Deus dá oportunidade a todos. Ele não quer afastar ninguém. A seleção está sempre a fazer-se. No final, será feita a grande escolha: será recolhido o que é bom e será repelido o que não presta (cf. Mt 13, 48).




Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

You Might Also Like

0 comentários

Mapa De Visitante