NÃO SEPAREMOS O QUE JESUS UNIU: SABEDORIA E HUMILDADE

Quem não deseja progredir no conhecimento e avançar na sabedoria? Também sobre isto, o ensinamento de Jesus é cheio de luz. D’Ele nos vem a indicação mais preciosa. Quem alguma quiser saber, de humildade tem de se abastecer.

Não separemos nunca o que Jesus quis unir sempre: a sabedoria e a humildade. Só pela humildade se chega à sabedoria. Só quem tem consciência de que não sabe, procura saber. Um dos homens mais sábios de sempre teimava em confessar que, quanto mais sabia, mais sabia que não sabia. A sua humildade guiou-o até aos mais elevados promontórios da sabedoria. É por isso que só o humilde é sábio. É por isso que só o humilde é verdadeiramente grande. Não foi em vão que Emanuel Lévinas reconheceu que «mais alta que a grandeza é a humildade».

A humildade consegue chegar aonde a arrogância não é capaz de se acercar. A arrogância nem sequer tem consciência do que lhe escapa. Por tal motivo a arrogância é a irmã gémea da ignorância. Só a humildade se lança ao encontro do que lhe falta. É assim que a arrogância vive da presunção. Só a humildade alcança — ainda que se canse — o que procura. Ao reconhecer as suas limitações, o humilde não se acomoda e vai procurando supri-las. Na sua humildade, torna-se sábio porque a primeira sabedoria é ter consciência de que é necessário procurá-la

Com tantos alardes de sabedoria, falta-nos dar conta do saber inicial: o não-saber. Não percebemos que todo o saber começa por um não-saber. «Não sei» também é resposta. Só depois de passarmos por este primeiro saber, estaremos em condições de nos abrirmos aos outros saberes. Como pode chegar ao maior saber quem não passou devidamente pelo primeiro saber?



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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