NÃO HÁ CRISTÃO SEM CRUZ

Ser cristão implica amar Jesus Cristo acima de tudo e até ao limite. «Quem o pai ou a mãe mais do que a Mim não é digno de Mim. E quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim não é digno de Mim» (Mt 10, 37). E tendo em conta que não há Cristo sem Cruz, também não pode haver cristão sem Cruz: «Quem não toma a sua cruz, para Me seguir, não é digno de Mim» (Mt 10, 38).

Ser cristão é agir cristão e o agir cristão tem de ser uma reprodução do agir de Cristo. Uma vez que a Cruz está presente na vida de Cristo, como é poderia estar ausente da vida do cristão? Aliás, nem é preciso fazer um grande esforço para a procurar. A Cruz está sempre a vir ao nosso encontro. Mesmo que tentemos fugir da Cruz, é mais do que evidente que a Cruz nunca foge de nós.

Tomar a Cruz é arriscar a vida; é aceitar perder a vida. Para Jesus, só ganha a vida quem dá a vida, quem se dá na vida. Daí o Seu (veemente) apelo: «Quem conservar a vida para si, há-de perdê-la; e quem perder a vida por Minha causa há-de encontrá-la» (Mt 10, 39). O que se perde é a nossa vida própria. O que se ganha é a própria vida de Cristo. Não foi Ele que Se apresentou com a vida? «Eu sou a vida», diz Jesus (Jo 14, 6).

A nossa opção é, pois, muito clara. Ou queremos uma vida própria, enquistada em nós mesmos, rebolada no nosso egoísmo pessoal, ideológico e terreno. Ou abrimo-nos a uma vida maior, centrada em Deus e disponível para todos. É certo que a escolha não é fácil. A pulsão individualista é muito forte. Mas o «Eu» de Cristo em nós fará maravilhas inauditas. A felicidade nunca é tão grande como quando nos damos a Deus e aos irmãos.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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