NÃO BASTA SERMOS «CRISTÃOS DE LÁBIOS»

Afinal, o que é prioritário para nós? Os nossos lábios dizem que Deus está acima de todas as coisas. Mas, por vezes, na nossa vida colocamos muitas coisas acima de Deus. Também aqui, é frequente a nossa vida desdizer o que o que nossos lábios dizem. Aliás, o próprio Deus, pela boca de Isaías, Se queixava: «Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim» (Is 29, 13; cf Mt 15, 8).

Não basta sermos «cristãos de lábios». Os lábios devem falar do que se vive e não do que parece que vivemos. Por conseguinte, temos de ser, antes de mais e acima de tudo, «cristãos de vida», cristãos para toda a vida.

Já o Bem-Aventurado John Henry Newman notava que muitos de nós aparentam ser «envelopes sem alma». Ou seja, apostamos muito no aparato — e na aparência —, mas investimos pouco (ou quase nada) na substância, na profundidade, na alma. Ainda patenteamos uma grande dificuldade em passar de nós para Cristo. Ainda há muito «eu» a condicionar-nos e a tolher-nos.

Para Santo Agostinho, como para tantos outros, era imperativo dizer o que o diz a Igreja: «Falo com a voz da Igreja» («Voce Ecclesiae loquor»). Não falamos — nem devemos viver — em nome próprio. Falamos — e devemos viver — para Deus e para os filhos de Deus.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

You Might Also Like

0 comentários

Mapa De Visitante