FAZ FALTA DISTINGUIR O BEM DO MAL E O MAL DO BEM

É sintomático notar que Salomão não pede a Deus «longos anos, nem riquezas, nem a vida dos seus inimigos» (1Rs 3, 11). Isto é, Salomão não se mostra utilitarista. Não pensa em si: nem nas suas conveniências nem nos seus interesses. Salomão pede a Deus a chave de uma sabedoria não cognitiva nem intelectual, mas profundamente existencial. Salomão pede a Deus o mais necessário e também o mais raro. Pede-Lhe «um coração compreensivo, para distinguir o bem do mal» (1Rs 3, 9).

Eis o que urge, eis o que falta. Falta, hoje em dia, distinguir o bem do mal. Há quem troque o mal pelo bem e o bem pelo mal. Há quem chame mal ao bem e bem ao mal. E o pior é que são muitos os que se guiam pelo mal a que chamam bem e esquecem o bem que desprezam como sendo mal.

Deus promete a Salomão um «coração prudente e esclarecido» (1Rs 3, 12). E, além de satisfazer o que Salomão pediu, também lhe concede o que ele não pedira. Nos versículos logo a seguir ao texto proclamado na Primeira Leitura, Deus acrescenta mais três dons a Salomão: a riqueza, a glória e uma vida longa (cf. 1 Rs 3,13-14).

Isto significa que Salomão não tem poder próprio. Ele age como uma espécie de intermediário entre Deus e o Seu Povo. É através do rei que Deus governa, que Deus intervém na vida do Povo. Daí que Salomão não conceba a sua missão como um privilégio pessoal para usar em benefício próprio, mas como um ministério que lhe foi confiado por Deus. É a vontade que importa conhecer. É a vontade que nos incumbe realizar. Deste modo, Salomão aparece também como o modelo do homem que sabe escolher as coisas importantes e que não se deixa condicionar pelas coisas efémeras.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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