É PRECISO EVANGELIZAR O MUNDO SEM «MUNDANIZAR» O EVANGELHO

É a este mundo — cheio de «boa semente» e, ao mesmo tempo, exposto à «má semente» — que Deus nos envia. Deus não quer que constituamos um mundo à parte, mas que sejamos parte do mundo: para o perceber, para o transformar, para o converter. Deus não quer salvar o mundo à distância, mas pela proximidade, com todos os riscos que isso possa acarretar.

Percebemos, assim, que o Cristianismo tenha nascido peregrino e inconformado. Os primeiros cristãos, em obediência ao mandato de Cristo (cf. Mc 16, 15), viam-se como residentes em qualquer lugar e como habitantes de toda a terra. Não se sentindo distantes dos mais próximos, cedo aprenderam a sentir-se próximos dos mais distantes.

Não foram as dificuldades que travaram a determinação dos primeiros cristãos: eles queriam mesmo levar Cristo a todo o mundo e trazer todo o mundo a Cristo. Assim sendo, não procuravam apresentar Cristo segundo os critérios do mundo. Procuravam, antes, construir um mundo segundo os critérios de Cristo. Tentaram, em suma, evangelizar o mundo sem «mundanizar» o Evangelho.

Esta ânsia de anunciar o Evangelho ao mundo não impediu, contudo, que encontrassem focos de incompreensão no mundo. Um escrito do século II — «A Carta a Diogneto» — assinala que os cristãos «amavam a todos, mas eram perseguidos por todos»; «faziam o bem, mas eram punidos como maus». Enfim, notavam que «o mundo odiava os cristãos, que não lhe faziam nenhum mal».



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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