ATÉ DEUS QUER SER HUMILDE

Há, portanto, um solíssimo existencial que vai fazendo o seu caminho. O homem, deslumbrado consigo mesmo e com os seus feitos, presume que não precisa de Deus. E, ao mesmo tempo, acha que também não precisa dos outros. Estamos no tempo em que cada um parece querer «valer por si mesmo». É a «cultura self» no seu pior.

Esquecemos que até Deus, sendo único, não é um. Não notamos que Deus, em Si mesmo, é família, é partilha e comunhão. Pode dizer-se que Deus exerce, eternamente, a arte da humildade.

Deus exerce, desde sempre esta arte da humildade. Como Holderlin reparou, «Deus criou o mundo como o mar criou os continentes: retirando-Se», ou seja, dando espaço. Segundo a doutrina hebraica do «zimzum», Deus como que Se contrai na Sua imensidão para «hospedar» o homem e todo o universo.

Por aqui se vê como Deus deixa o mundo ser mundo e como Deus deixa o homem ser homem. Deus é tão humilde e recatado no mundo que alguns até dizem que não O sentem, que não O vêem nem O ouvem.


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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