A SEMENTE É LANÇADA EM TODA A TERRA

Afinal, que tipo de terra somos nós? Seremos a «terra boa» que dá fruto (cf. Mt 13, 8)? Ou não seremos a terra à «beira do caminho» (Mt 13, 4), a «terra pedregosa» (cf. Mt 13, 5) e a terra «entre espinhos» (Mt 13, 7)? Porventura, ao longo da vida, já teremos sido um pouco de todos estes tipos de terreno.

Jesus propõe esta parábola — a parábola do semeador — para nos certificar, desde logo, de que Deus distribui os Seus dons por todos. Não deixa ninguém de fora. O problema é que nem todos recebem esses dons do mesmo modo nem produzem frutos da mesma maneira. Jesus quer frutos. Jesus quer-nos frutificados, não fortificados. Ou seja, o importante não são as nossas forças, mas os frutos que deixamos que Deus produza em nós.

Há três respostas insuficientes, correspondentes a três tipos de terreno improdutivos. A terra «à beira do caminho» é a imagem de uma vida sem consistência, sem profundidade. Vêm as aves e comem as sementes, isto é, às primeiras adversidades, a tentação é para fenecer, estiolar e desistir.

No seu célebre «Sermão da Sexagésima», o Padre António Vieira afirma que aqui estão «os corações inquietos e perturbados com a passagem […] das coisas do mundo: umas que vão, outras que vêm, outras que atravessam, e todas passam; e nestes é pisada a Palavra de Deus, porque a desatendem ou a desprezam».



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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