A HUMILDADE NÃO IGUALIZA, MAS FRATERNIZA

A humildade não nos igualiza, mas fraterniza-nos. Não nos torna iguais, mas ajuda a tornar-nos irmãos. Não nos torna iguais pela simples razão de que estamos marcados — e enriquecidos — pela diferença. Mas torna-nos irmãos porque, capacitando-nos da nossa incompletude, nos leva a aprender com as riquezas de que os outros (também) são dotados.

No fundo, a humildade é a verdade e a verdade é a humildade. Assim sendo, a verdade não é violenta nem torturante. Aparece e dá-se a quem a procura. A verdade é Jesus Cristo, o Humilde. É na humildade de Cristo que, como nos disse Bento XVI, «Deus não nos deixa tatear na escuridão. Ele mostrou-Se como homem. Ele é tão grande que pode até tornar-Se pequeníssimo». A esta luz, as pessoas humildes são aquelas que percebem que o mundo não termina nem acaba em si. São aquelas que percebem que o centro do mundo não está em si. São, pois, aquelas que não olham para si. São aquelas que olham para fora de si.

Afinal, até o mais alto quis descer até ao mais baixo. Até Deus é humilde. Em consonância com a imagem e semelhança de Deus, o humilde não olha de cima, olha para cima. Orson Welles verbalizou o essencial da humildade quando disse: «Penso que é impossível que o homem seja grande se não admitir que há alguma coisa maior do que ele».

Sucede que, como reparou Xavier Zubiri, o homem tem uma grande dificuldade em aceitar «a ideia de um ser supremo». Sem se aperceber, ele coloca o divino ao nível do humano e coloca o humano ao nível do divino. Concretamente, a humanidade descobre-se «imersa na técnica, que quase não põe limites ao domínio da natureza pelo homem». São cada vez mais os que se resignam a permanecer «aposentados na sua vida». O seu horizonte parece ser mais a técnica do que a eternidade.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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