A HUMILDADE É O MELHOR GUIA — E O MAIOR GUIÃO — PARA A SABEDORIA

Facilmente se percebe, assim, que a humildade seja o melhor guia — e o maior guião — para nos aventurarmos pelos caminhos da sabedoria. É que a humildade, abrindo-nos as portas a toda sabedoria, nunca nos fecha as janelas deste primeiro saber.

Onde não há humildade, haverá sabedoria? Thomas Elliot não tinha dúvidas. Para ele, a única sabedoria que existe «é a sabedoria da humildade». A humildade é sempre sábia e a sabedoria deve ser sempre humilde. Se a sabedoria não é humilde, não é sábia. Sábio, com efeito, não é o que presume que sabe. Pelo contrário, é o que pensa que não sabe e, nessa medida, se esforça por saber. Não é fácil incluir a humildade na sabedoria. Mas o mais difícil é alcançar a sabedoria da humildade.

A humildade ajuda-nos a conhecer melhor Deus, o mundo, a vida, os outros e nós mesmos. De facto, se nos conhecêssemos verdadeiramente, seríamos mais humildes. Se fôssemos mais humildes, conhecer-nos-íamos verdadeiramente. Havia um santo que achava que «o conhecimento de nós mesmos como que nos leva pela mão até à humildade». Poderemos acrescentar que, complementarmente, a humildade leva-nos pela mão até ao conhecimento de nós mesmos.

A humildade é o chão onde tudo nasce e cresce. Sem humildade, vogamos sempre na ilusão. Na sabedoria humilde e na humildade sábia, apercebemo-nos de que, sendo diferentes de todos, não somos superiores a ninguém. Porque humilde, o verdadeiro sábio não se considera superior nem vê os outros como inferiores. Para ele, os outros não estão em baixo nem tampouco ao lado. Os outros estão dentro dele. A humildade faz-nos perceber que cada ser humano pertence a todo o ser humano, a toda a humanidade. Este é o padrão basilar da sabedoria.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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