A ALTERNATIVA NÃO É A FUGA, MAS UMA NOVA PRESENÇA

Nenhum obstáculo, todavia, os demoveu do seu propósito ou amoleceu o seu discurso. Apesar dos contratempos, persistiram em mudar o mundo em nome do Evangelho. O que nunca admitiram foi mudar o Evangelho por causa do mundo. Quando as perseguições terminaram, o inconformismo manteve-se.

O desafio já não era dar a vida num momento, mas dar a vida a cada instante. No fundo, dar a vida é dar-se na vida. E não só no fim da vida. O Cristianismo, que amava o mundo, não se revia no mundo. Foi por isso que não desistiu de corporizar uma verdadeira alternativa ao mundo.

Os cristãos não estavam a fugir do mundo, mas a corporizar uma nova presença no mundo. A opção pelo deserto e a proliferação de mosteiros mostram que houve quem percebesse que o Cristianismo transporta consigo o gérmen da insatisfação. Só que essa insatisfação não está ausente do mundo. Afinal, o deserto e os mosteiros não estão fora do mundo.

Eles são a prova de que é possível centrar a vida em Deus e não apenas por alguns dias. Deus é o centro da vida em cada dia. Daí o encanto. Daí a surpresa. Daí a contínua — e saudável — (pro)vocação!



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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