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SANTIDADE QUE DEVE TER O PADRE COMO MODELO DO POVO

Devem também os padres ser santos, porque Deus os colocou na terra para serem modelos de virtude. O autor da Obra imperfeita chama-lhes os doutores da piedade; S. Jerônimo os salvadores do mundo; S. Próspero, as portas da cidade eterna; e S. Pedro Crisólogo, os modelos das virtudes. Dali esta reflexão de Sto. Isodoro: Quem foi colocado à frente dos povos para os instruir e formas na virtude, deve ser santo em tudo, inteiramente irrepreensível. O papa Hormisdas diz igualmente: Os que têm a seu cargo repreender os outros, devem estar a coberto de toda a censura. S. Dionísio proferiu esta célebre sentença: “Ninguém deve ter a audácia de se constituir guia dos outros, a não ser que na prática das virtudes se tenha tornado semelhante a Deus”. S. Gregório assegura que os sermões dos padres, cuja vida é pouco edificante, produzem antes desprezo do que fruto. Ao que Santo Tomás ajunta: Pela mesma razão (se volvem desprezíveis) todas as de mais funções que exerçam. Eis como S. Gregório de Nazianzo fala do padre a este respeito: “É preciso que ele primeiro se purifique a si próprio, depois que purifique os outros; que se aproxime de Deus, depois lhe reconduza os outros; se santifique a si, depois trabalhe na santificação dos outros; e antes; e antes de alumiar é necessário que seja alumiado”.



É preciso, diz S. Gregório, que a mão que empreende lavar as manchas dos outros, seja isenta delas. E noutro lugar acrescenta que a luz apagada não pode alumiar os outros. Sobre o mesmo assunto, diz S. Bernardo, que a linguagem do amor, na boca de quem não ama, é uma linguagem bárbara e estranha. Estão os sacerdotes colocados na terra como outros tantos espelhos, em que se deve rever a gente do mundo: Somos dados em espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens. Por isso o Concílio de Trento quer que os eclesiásticos sejam como espelhos para os quais todos os leigos não tenham mais que levantar os olhos, afim de aprenderem a regular os seus costumes. E segundo o abade Filipe de Boa-Esperança, os sacerdotes são escolhidos por Deus para defesa dos povos, mas por isso mesmo lhes não basta a dignidade sem a santidade da vida.

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