RESTA-NOS O SILÊNCIO?

Falar sobre o homem já é difícil. Como é que haveria de ser fácil falar sobre Deus? Como notou Karl Barth, «tudo o que diga sobre Deus é apenas um homem que o diz», pelo que fica infinitamente aquém do que pretende dizer. Nenhuma palavra humana é capaz de dizer Deus, nem a própria palavra «Deus». Como percebeu Karl Rahner, «tal palavra nada diz sobre o que significa».

É claro que, segundo o mesmo Rahner, de todas as palavras, esta será a menos imprópria para indicar Deus: é tão pequena que mal chega à língua, logo desaparece dos lábios. É, pois, uma palavra que cumpre a sua missão: convida mais a escutar do que a conversar, apelando mais à contemplação do que à discussão. Que, pela sua natureza, seria necessariamente interminável.

Restar-nos-á então o silêncio? É certo que, sobre Deus, falamos sempre melhor quando nos calamos. Sobre Deus, calar é falar e falar é calar. Só que nem todo o silêncio será santo. O silêncio tanto pode significar disponibilidade para acolher como rejeição ou desinteresse.

É por isso que só nos calamos no fim do esforço de falarmos o mais adequadamente possível daquela realidade para a qual não há nenhuma palavra adequada. Só no fim é que o silêncio será digno e santo.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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