O NOSSO «CADERNO DE ENCARGOS

 Eis, então, o nosso «caderno de encargos». São seis as ações que Jesus confia aos Seus enviados, aos de ontem, aos de hoje e aos de sempre: 1) pregar a proximidade do Reino, 2) curar os enfermos, 3) ressuscitar os mortos, 4) sarar os leprosos, 5) expulsar os demónios e 6) tudo fazer «de graça» (Mt 10, 8). Tudo se pode resumir em 1) anunciar e 2) curar.

De facto, evangelizar é, essencialmente, anunciar e curar. Na prolixa diversidade das suas aplicações, a evangelização é anúncio e cura. Ao anunciar a Presença de Deus, o enviado de Cristo já está a ser portador de cura. Não é em vão que, na Bíblia, o verbo que significa curar («sozô») também significa salvar. Do mesmo modo, o latim «salus» tanto significa saúde como salvação. E a experiência confirma que, quando há a cura de uma doença grave, as pessoas costumam comentar: «Aquele médico salvou-me». De facto, curar é salvar e salvar é curar. A cura é salvação e a salvação é a definitiva cura.

Cada um de nós já esteve doente. E todos nós damos conta de que o mundo está doente. Como é sabido, «doente» significa ter dor. Quem não sente dor neste mundo e neste momento do mundo? Entretanto, o que mais (nos) faz doer, sendo por isso a doença maior, é o egoísmo.

Do que mais sofremos é, sem dúvida, de «egopatia», a doença do excesso do eu, do exacerbamento do eu. Há muito egoísmo no mundo. Há muito em muitas pessoas do mundo. O egoísmo tem «células» que se multiplicam como tumores. Acresce que as «células» do egoísmo atropelam-se, agridem-se.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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