O «LAÇO» QUE NOS «ENTRELAÇA»

Todos os membros deste corpo são diferentes: legítima e desejavelmente diferentes, aliás. A unidade entre eles é assegurada por Deus, por Cristo, pelo Espírito e pelo Batismo. É S. Paulo quem no-lo recorda ao dizer que «há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai»(Ef 4, 5) e «um só Espírito»(1Cor 12, 13). Somos muitos e, sendo muitos, estamos unidos não em função das nossas afinidades, mas em razão da presença do mesmo Deus que nos une.

Isto significa que, quando não estamos unidos, é porque não estamos a ser verdadeiramente fiéis ao nosso Batismo, ao Espírito que nele recebemos e a Jesus Cristo que nos conduz para a unidade. Com efeito, é Cristo que nos une e é no Seu Espírito que nos devemos deixar re+unir cada vez mais.

Não é por acaso que Sto. Hilário de Poitiers considera o Espírito Santo como o «laço» que une o Pai e o Filho. É neste sentido que o mesmo Espírito Santo nos une ao Pai e ao Filho e nos une uns aos outros. É, pois, o Espírito Santo que nos «enlaça», que nos «entrelaça». No mesmo Espírito, nunca estamos «deslaçados». No mesmo Espírito, estamos todos «entrelaçados» uns nos outros.

É o Espírito que inspira, é o Espírito que nos inspira para a missão, para os múltiplos — e surpreendentes — serviços da missão. Estes serviços são chamados «carismas», uma vez que resultam de dons suscitados pelo Espírito Santo. S. Paulo garante que os trabalhos da missão são muitos, «mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos»(1Cor 12, 6) com vista «ao bem comum»(1Cor 12, 7). A missão começa sempre na oração porque é na oração que se acolhe o sopro do Espírito. O grande empreendimento missionário de S. Paulo foi desencadeado por uma forte experiência de oração (cf. At 13, 1-3).



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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