NINGUÉM É CRISTÃO LONGE DA MISSÃO

O ser — disse-o São João Paulo II — «está acima do fazer». Acontece que o fazer não está muito abaixo do ser. Afinal, ser também é fazer. Como bem percebeu o Padre António Vieira, «somos o que fazemos». Se não fazemos, que somos? É no que fazemos que mostramos o que somos. O ser identifica e o fazer realiza. O fazer é a realização do ser. E o ser é a identificação do fazer. É pelo fazer que o ser se realiza. E é no ser que o fazer se identifica.

 Neste sentido, pode dizer-se que ser cristão é — essencialmente — «agir cristão» e «fazer cristãos». «Agir cristão» é procurar fazer o que Cristo fez. E, nessa medida, é fazer com que outros se façam cristãos. Para Jesus, ser discípulo é inseparável de «fazer discípulos» (cf. Mt 28, 19). Isto significa — como observou Xavier Zubiri — que ser cristão é necessariamente «fazer cristãos».

Ninguém é cristão para si. Só é cristão em si quem é cristão para os outros. Será que temos noção do que implica «agir cristão» e «fazer cristãos»? Ninguém é cristão longe de Cristo e fora da missão. A missão liga-nos sempre a Cristo e nunca nos desliga do imperativo de atrair outros para Cristo.

A esta luz, a missão não é posterior a Cristo, mas permanentemente atual em Cristo. As ações do Cristianismo não são ações acrescentadas às ações de Cristo. São ações do próprio Cristo nos cristãos. Realizando os atos de Cristo, o cristão reveste-se de Cristo. Pelos sacramentos, é o próprio Cristo que, como notou Xavier Zubiri, «vai deificando e configurando» o homem.

O teofilósofo espanhol apresenta o Batismo como «comunicação inicial» e a Eucaristia como «doação plena» da vida de Cristo. Por aqui se vê como o Cristianismo «é a vida inteira de Cristo» na vida inteira das pessoas. O Cristianismo consiste «na ação reprodutora» de Cristo pelo espaço e pelo tempo. Ser cristão — e fazer cristãos — é «ir vitalmente» de um modo de ser para outro modo de ser. Isto é, para o modo de ser de Cristo. Ele, que trouxe Deus até à nossa humanidade, (e)leva a nossa humanidade até Deus. E em Deus todos nos reencontraremos — verdadeira e plenamente — humanos!



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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