NEM PESSOA SEM COMUNIDADE NEM COMUNIDADE SEM PESSOA

Por aqui se vê como, ao contrário do que dizia Immanuel Kant, não é indiferente que Deus seja um ou que Deus seja três. No fundo, o mistério da Santíssima Trindade é, afinal, um mistério muito concreto, muito prático. Ele instaura um modelo de humanidade onde não há superiores nem inferiores.

A Santíssima Trindade constitui a alternativa mais consistente quer às pulsões individualistas, quer às derivas massificantes. Numa existência à imagem da Trindade, nem a pessoa se fecha à comunidade nem a comunidade se sobrepõe à pessoa. Numa existência à imagem da Trindade, cada pessoa está aberta à comunidade e a comunidade nunca pode deixar de estar aberta a cada pessoa.

No mundo, a Igreja é chamada a ser o grande sinal da Trindade. Como proclama o Vaticano II citando S. Cipriano, a Igreja é o «povo unido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Para a Igreja, a Trindade não é um mero termo de comparação, mas uma causa e uma fonte. Jesus já tinha pedido ao Pai: «Que (todos) sejam um, como Nós»(Jo 17, 11; cf. 18.21). Segundo os estudiosos, este «como» não é comparativo, mas causal. Ou seja, porque Deus é unidade, a Igreja de Deus tem de procurar viver em unidade.

É por isso que, seguindo a vontade expressa de Jesus, somos batizados «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»(Mt 28, 19). É por isso que começamos — e terminamos — cada Eucaristia «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Estamos, assim, tatuados para sempre pela unidade divina. Honremos esta unidade, crescendo na comunhão e fortalecendo a fraternidade. A melhor maneira de mostrar que somos filhos de Deus é respeitarmo-nos como irmãos!



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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