NÃO DEIXEMOS FÁTIMA EM FÁTIMA

Fátima não acontece apenas em Fátima. Fátima vai muito para lá de Fátima. Fátima irrompe em múltiplos lugares e floresce em praticamente todas as vidas. Fátima é local e global. É lugar e presença. É apelo e vivência. Fátima é terra com sabor a Céu. Fátima é Céu na terra. É um enclave da eternidade neste nosso tempo.

Fátima atravessa territórios e invade corações. Não cabe num espaço nem sequer é limitável ao mundo. Fátima é visceralmente planetária. É interestelar, soltando um infindável aroma celestial. É por isso que não podemos deixar Fátima em Fátima. Não podemos deixar Fátima ao sair de Fátima. Mesmo que os nossos (trémulos) lábios cantem «Ó Fátima, adeus», é fundamental que a nossa vida nunca diga «adeus» a Fátima.

A «hora de Fátima» não se esgota em Fátima. Em toda a parte — e em cada tempo —, a «hora de Fátima» tem de ser a «hora de Maria», a «hora de Cristo», a «hora de Deus». A missão de Maria não consiste em completar Jesus, mas em atrair para Jesus. Neste sentido, Fátima não é um acrescento do Evangelho. A sua função — como adverte o Catecismo — é «ajudar a vivê-lo mais plenamente».

O Evangelho não carece de complemento, mas de cumprimento. Como a Igreja tem notado, o atual de Fátima corresponde ao perene do Evangelho. O núcleo de Fátima é um decalque do âmago do Evangelho. O eixo de ambos gira em torno da conversão, da partilha e da oração. Ou seja, tudo está centrado no compromisso com Deus e na consequente abertura aos irmãos.

Se não há compromisso com Deus, não há adesão ao Evangelho. Em tal caso, como pode haver aceitação de Fátima? O concreto de Fátima faz ressoar o perene do Evangelho. A Peregrinação, a Eucaristia e a Recitação do Terço (centrada na contemplação da vida de Jesus Cristo) ajudam a descentrar-nos do eu. E contribuem para nos recentrar em Deus e nos homens, amados por Deus.

É por isso que Fátima não pode acontecer só quando se chega nem somente quando se está. Fátima também tem de acontecer quando se parte. Os «cristãos de Fátima» terão de ser sempre «cristãos do Evangelho», «cristãos do Domingo», «cristãos da Páscoa». Enfim, «cristãos da vida». De toda a vida!



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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