JESUS QUER-NOS INQUIETOS, NÃO AQUIETADOS

Jesus não nos quer acomodados no mundo. Jesus quer que, se for caso disso, incomodemos o mundo. Jesus não quer nos aquietemos, mas que inquietemos. A paz de Jesus não é a paz do sossego ou a mera tranquilidade. Como, em tempos, lucidamente reconheceu a Eng. Lourdes Pintasilgo, a fé «é a paz da permanente inquietação». Evitemos, então, a cultura do sussurro, da delação e da murmuração. O que tivermos a dizer, digamo-lo às claras e aos próprios. Se tiver de ser, falemos do mal com alguém, mas nunca falemos mal de ninguém.

É certo que Jesus nos traz a paz. Mas — já o Concílio Vaticano II o notara — a paz de Jesus, a paz que é Jesus, é sobretudo obra da justiça. Sem justiça, não há paz. Enquanto não compreendermos — nem implementarmos — o estreitíssimo liame que existe entre a paz e a justiça, estaremos a contribuir para o adiamento das duas. Ficamos, assim, sem justiça e sem paz. A paz que só busca a tranquilidade para cada um é fruto do egoísmo. A paz não é solteira. Não podemos, por isso, «solteirizar» a paz. Só temos paz, quando oferecemos paz. E só oferecemos paz quando semeamos a justiça em que cresce a paz.

Não é fácil ser discípulo. Daí a necessidade — o verdadeiro imperativo — de estar sempre ligado ao Mestre. O nosso falhanço pastoral começa — e termina — quase sempre aqui: na desligação do Mestre, no afastamento do Mestre. Isso acontece quando falamos de Jesus, mas não vivemos de Jesus, em Jesus ou com Jesus.

A prioridade do discípulo é andar com o Mestre (cf. Mc 3, 14). Só o encontro com Jesus desencadeia mais encontros em Jesus. A oração é sempre a grande «parteira» da missão. Não é em nosso nome que vamos. Não é em nosso nome que trabalhamos. Não é em nosso nome que missionamos. Vamos, trabalhamos e missionamos sempre em nome de Jesus.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

You Might Also Like

0 comentários

Mapa De Visitante