DA VIDA PARA A EUCARISTIA, DA EUCARISTIA PARA A VIDA

Terá sido em 1247 que se celebrou, pela primeira vez, o Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.
Foi em Liège e por insistência de uma religiosa: a Irmã Juliana de Mont-Cornillon. Mais tarde, em 1264, na sequência de um milagre eucarístico ocorrido em Bolsena, o Papa Urbano IV estendeu a toda a Igreja esta festa através da bula «Transiturus». Embora, nessa altura, ainda não haja ainda qualquer alusão à procissão com o Santíssimo, é sabido que esta depressa se introduziu nos hábitos eclesiais e na alma crente do povo. A Portugal esta festa terá, provavelmente, chegado em finais do século XIII com a denominação de Festa do Corpo de Deus.

Na génese da procissão eucarística está a intensidade da própria celebração eucarística. Como nos diz Xabier Basurko, desde os primeiros tempos, «os fiéis corriam de Igreja para Igreja com a preocupação de verem o maior número possível de vezes a elevação da Hóstia consagrada». A procissão eucarística é, pois, uma sequência — e um transbordamento — da Eucaristia. Nós vamos, pelos caminhos da nossa vida, até à Eucaristia. Hoje é a Eucaristia que, pelos mesmos caminhos da nossa vida, vem até nós.
Foi para facilitar o visionamento do Pão consagrado — informa-nos de novo Xabier Basurko —, que «começaram a utilizar-se aqueles objetos que habitualmente serviam para a exposição das relíquias dos santos. Deste modo, através do vidro transparente, as pessoas podiam fixar os olhos no sacramento do Corpo de Cristo».


Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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