ANTES DOS DISTANTES, OS PERDIDOS

É neste contexto que Jesus chama e envia os Doze Apóstolos. Será interessante prestar atenção não apenas ao chamamento e ao envio, mas também às instruções. Trata-se de uma espécie de «código de conduta» que todo o apóstolo deve ter presente. O apóstolo não atua em nome pessoal nem em proveito próprio. O apóstolo não faz carreira, faz missão. Para conhecer a missão, é necessário estar perto de Jesus. É Jesus quem traça os caminhos da missão.

Aliás, a missão acontece no caminho. Por duas vezes, Jesus usa a expressão «pelo caminho» (cf. Mt 10, 5. 7). Não podemos ficar inativos ou mostrar uma conduta meramente passiva. É urgente fazermo-nos ao caminho. Não basta ficar à espera que as pessoas venham. É preciso ir até onde as pessoas estão. Para a Igreja e como nos lembrou São João Paulo II em 1979, «o homem é o caminho».

A prioridade não são os distantes, mas os perdidos. Os distantes não são esquecidos, mas tudo deve começar por ir ao encontro dos se afastaram. Jesus não desiste de ninguém. É por isso que as «ovelhas perdidas» não são esquecidas (cf. Mt 10, 6). É sintomático notar que a vontade de Jesus não é que os Doze deixem de ir ao encontro dos gentios ou dos samaritanos (cf. Mt 10, 5). O que Jesus ordena é que, primeiramente, eles se lancem ao encontro das «ovelhas perdidas da Casa de Israel» (Mt 10, 6).

Na nossa ação pastoral, falta ir ao encontro dos que se afastaram. Falta perguntar-lhes os motivos por que se afastaram. Ninguém pode ser obrigado a vir. Mas ninguém pode ser desobrigado de ir. Pelo menos, é importante que se manifeste a falta que sentimos da sua presença. Ao contrário do que é comum dizer-se, «não fazem falta apenas os que estão». Os que não estão, os que ainda não estão e os que já não estão também são necessários. Todos fazem falta, todos são bem-vindos. A resposta pode não chegar de todos, mas a proposta não pode deixar de chegar a todos.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

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