Santo Rosário - Quinto Mistério Gozoso

Jesus Com os Doutores no Templo


A primeira prova! A primeira dor! Como o teu coração amantíssimo de Mãe estaria angustiado e compungido com a ausência do teu Filho! E a demora em encontrá-lo?

Ao teu espírito deveriam acorrer as palavras de Simeão e, mesmo sabendo que Ele tinha uma missão a cumprir, não deixavas de sentir aquele aperto no coração que uma mãe sente quando um filho pequeno desaparece sem explicação e não conseguimos encontrá-lo.

Onde poderia estar?


Eu, que ando por esta vida, tantas vezes, à procura de Jesus que, por vezes, parece que se afasta de mim para bem longe, também me sinto triste angustiado. Porquê? Porque Te afastaste, Senhor, de mim?

E mergulho dentro de mim mesmo, única forma séria de reflectir, e chego sempre à triste conclusão que, não foste Tu quem se afastou mas, sim, eu que me ausentei da Tua presença.

Tenho tantas coisas em que pensar; enormes preocupações que me consomem por dentro; inúmeros desejos por satisfazer; caminhos que quero tanto percorrer embora saiba que não interessam e não conduzem a nada que valha a pena. E, depois, são estas coisas todas que possuo – que julgo possuir – e as muitas outras que anseio vir a ter, que me mantêm agarrado ao meu lugar, estático e imóvel enquanto, Tu, caminhas sempre, esperando que Te siga. Vou ficando para trás, preso a tudo isto que não vale nada e para nada interessa e vejo-te esfumar no horizonte e, em vez de correr pressuroso atrás de Ti, fico-me inerte e como que morto.

Parece-me que Te oiço com as palavras de Tua Mãe: Filho, porque procedeste assim comigo? Porque te deténs no caminho? Anda que, eu, estou á tua espera!

E fico-me sem reposta, pois que Te hei-de eu dizer a não ser, confessar a minha fraqueza, a mostrar-te humildemente o pouco que sou, a pedir-te que esperes por mim, que não Te afastes mais, que quero ir ter contigo.

Sou tão feliz porque me ouves e deténs o passo e ficas, num gesto acolhedor, de amigo íntimo, à espera que eu, finalmente, volte para o pé de ti.

É então que me dou conta da enorme desventura que é a Tua ausência, o não Te ter presente bem ao pé de mim e, como compreendo a Tua Mãe na sua procura ansiosa pelas ruas de Jerusalém durante esses três dias de alvoroço.

Digo-lhe, então, com o coração nas mãos:

Minha Mãe, não deixes que me afaste nunca do teu Filho, do nosso Jesus. Ensina-me a procurá-lo onde Ele deverá estar à minha espera, em vez de andar perdido tentando encontrá-lo onde Ele não pode estar. Leva-me pela tua mão – também sou teu filho, um filho pequeno – ao encontro dele para que, juntos, possamos sossegar na Sua companhia.

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