O MINISTÉRIO MERGULHADO DO MISTÉRIO

A proposta teve boa aceitação. E foi assim que, para a nova missão sócio-caritativa, foram escolhidos Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Tímon, Pármenas e Nicolau (cf. At 6, 5). Do primeiro é dito que se tratava de um «homem cheio de fé e do Espírito Santo»; do último é referida a sua proveniência: Antioquia. Mas, curiosamente, estes sete homens não se dedicaram apenas ao «serviço das mesas». Até eles se destacaram também pela pregação da Palavra, como se pode conferir pelo caso de Santo Estêvão, que deu o sangue por causa do seu testemunho de Cristo (cf. At 6, 8-7, 60).

Como acabamos de ouvir, «os Apóstolos oraram e impuseram as mãos sobre eles» (At 6, 6). É, claramente, uma forma de ordenação. Pela oração e imposição das mãos, estes sete homens foram ordenados — isto é, receberam a ordem — para realizar a missão. É, pois, o mistério de Deus que gera o ministério entre os homens.

É preciso mergulhar no mistério para bem realizar o ministério. O mistério não é o que se esconde (isso é o enigma); mistério é o que se revela. O mistério revelado na Igreja é o amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O mistério da Igreja é a Santíssima Trindade. É este mistério que suscita muitas formas de ministério. Foi assim no princípio e há-de ser assim até ao fim. Na Igreja, o mistério é a essência e o ministério é a consequência. O ministério nasce do mistério, vive do mistério e encaminha para o mistério.

Fora do mistério, não temos ação; teremos apenas ativismo. E o ativismo é espiritualmente paralisante. O ministério apostólico remete sempre para o mistério. Daí a necessidade que os Apóstolos sentiram de se entregarem totalmente — sublinhe-se o «totalmente» — à oração e ao serviço da Palavra (cf. At 6, 4). É sobretudo na oração e no serviço da Palavra que resplandece o mistério onde assenta todo o ministério.



Frei Francisco Bezerra do Nascimento, OFMConv.

You Might Also Like

0 comentários

Mapa De Visitante